OPINIÃO

O futuro é convergente

Por Gustavo de Oliveira

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Gustavo de Oliveira, presidente do Sistema Fiemt.

Na semana em que a Fiemt completa 45 anos, é inevitável pensarmos em como o mundo, a indústria e a visão de futuro mudaram ao longo das últimas quatro décadas.

Nos anos 1970, a economia era compartimentalizada em setores inconfundíveis: agricultura, indústria, comércio e serviços, setor público. Cada qual com sua agenda, esses setores eram impulsionados por estratégias específicas, e o crescimento do PIB de determinada região se determinava pela simples soma dessas frações. Termos como o tão ouvido “industrialização” traziam consigo o conceito de que era possível ativar um setor sem que isso necessariamente provocasse um efeito indutor nos demais.

Em 2020, a estanqueidade econômica entre os setores desapareceu. Saímos da solidez para a fluidez: no mundo líquido, no qual a economia se molda permanentemente a novos tempos e a novas necessidades, o crescimento ou redução de um setor fatalmente leva à reorganização de outros setores e cadeias econômicas, com interdependência muito maior do que se poderia imaginar há algumas décadas.

Assim, enquanto nos anos 1970 se pensava que a promoção da industrialização dependia fortemente de fatores físicos (mão de obra preparada, áreas adequadas, estradas e fontes de energia disponíveis) hoje temos a certeza de que a vantagem competitiva vai além: são necessárias estratégias vencedoras, que ofereçam ao empreendedor um conjunto de fatores adequados às suas necessidades mercadológicas.

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Hoje, com o mundo cada vez mais exigente em termos de qualidade e custo, em muitos casos o maior fator para o sucesso ou até a sobrevivência de um negócio é a interação entre fornecedores e clientes. É o caso de indústrias que se desenvolvem com novas tecnologias oriundas de outros países. Ou de uma indústria que possui produto excelente e distribuição com preços competitivos, mas sucumbe pela falta de uma rede de assistência competente.

A descoberta de um único fornecedor que descumpra a legislação ambiental ou cujo trabalho não esteja em conformidade com os conceitos de sustentabilidade, ética e legalidade pode fechar as portas de clientes em poucas horas, mesmo para grandes empresas. A preocupação com o processo e com a cadeia de fornecedores e distribuidores já é tão importante quanto o produto em si.

Em Mato Grosso, esse encadeamento fica muito claro quando se observa a agroindustrialização. Nossas riquezas naturais e produtos primários viabilizam cadeias complexas, como as de biocombustíveis, carnes, proteínas vegetais comestíveis, produtos de madeira e energias renováveis. Nossa indústria cresce e se desenvolve em simbiose com as vocações produtivas mais evidentes, beneficiando também o setor de comércio e serviços e o próprio setor público. A prosperidade é rateada entre os segmentos, e a soma das partes é menor que o grande efeito sinérgico que um setor provoca nos demais.

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O agro mato-grossense não seria multicampeão de tudo sem a melhor tecnologia industrial mundial a seu serviço, em equipamentos que são como indústrias sobre rodas em cada lavoura. E os melhores equipamentos industriais do mundo não teriam aqui o mesmo desempenho sem que o setor comercial oferecesse os insumos e peças necessários ao seu funcionamento, nem serviços que garantissem o padrão da manutenção. Por tudo isso, a Fiemt ampliou e vem ampliando ainda mais o olhar para o agro, o comércio exterior e os competidores globais, porque o mundo exige isso das nossas indústrias.

A evolução nos leva a um mundo mais convergente, interligado e em simbiose. Dos primórdios da indústria de Mato Grosso ao que há de mais moderno, da mineração dos Bandeirantes à mais tecnológica extração de zinco; da energia da usina Itaicy às modernas plantas de biodiesel e etanol de milho; do extrativismo vegetal aos atuais projetos de manejo sustentável; apenas uma certeza temos e continuaremos tendo: a indústria estará lá, sempre protagonista e sempre determinante para o sucesso de Mato Grosso e de todos os setores econômicos. E a Fiemt também estará lá, pronta para qualquer desafio que os próximos 45 anos apresentem.

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Mulher

Ser Mulher

Por Virginia Mendes

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Ser Mulher

Recentemente me perguntaram como eu me definiria, quem era Virginia Mendes. Fiquei pensativa, analisei a minha trajetória e percebi que sou a somatória das centenas de mulheres que cruzaram o meu caminho. Mulheres guerreiras, exemplos de vida, de força e de luta, como é o caso da minha mãe, dona Eurídice, que sempre lutou contra as adversidades e hoje trava mais uma batalha, dessa vez a pela vida, contra a Covid-19.
Foi minha mãe, que é um exemplo de retidão, quem me ensinou a olhar ao próximo e me mostrou que nós mulheres somos muito mais fortes que a nossa aparência pode demonstrar.
Nesses últimos dois anos, em que estou exercendo a função de primeira-dama, tive o privilégio de ter encontrado na minha caminhada mulheres maravilhosas, como as que compõem a nossa equipe da Unidade de Ações Sociais e Atenção à Família (Unaf), porque ninguém faz nada sozinho. O sucesso das ações depende de uma equipe coesa e unida pelo bem de ajudar ao próximo.
Nessa trajetória, cruzei com histórias inimagináveis de superação. Mulheres que fazem a diferença, como é o caso da Maria Aparecida do Nascimento, a Cidinha, que trabalha na Associação de Catadores de Materiais Recicláveis, e atua no aterro sanitário de Várzea Grande. Tive a oportunidade de conhece-la por meio do projeto Vem ser Mais Solidário, que implantamos no governo.
Que mulher é a Cidinha. Ela é motivadora e, sempre com um sorriso no rosto, demonstra que quando realmente queremos, conseguimos superar os nossos próprios limites. Ela só terminou o ensino médio após os 40 anos e hoje dá curso de sustentabilidade em mercados e redes de hotéis. Que orgulho!
Pelas minhas andanças por esse Mato Grosso imenso, no trabalho voluntário na Unidade de Ações Sociais e Atenção a Família, fui até a Aldeia Wazare, no município de Campo Novo do Parecis, e conheci a liderança indígena Valdirene Paresi, esposa do cacique Roni. Uma guerreira, com nível superior, que exerce a profissão de professora, e que garante a perpetuação das tradições indígenas. Ela trabalha diuturnamente na busca de oferecer sempre o melhor para o seu povo.
Outra grande mulher que a minha função como primeira-dama fez com que eu me aproximasse foi a desembargadora Maria Erotides. Que mulher fantástica, que luta pela garantia dos direitos das mulheres e, atualmente, é coordenadora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, no âmbito do Tribunal de Justiça. Ela abraçou o meu projeto de implantar o Plantão 24 horas da Mulher, em Cuiabá, que inauguramos em setembro do ano passado. Uma conquista para milhares de mulheres, que sofrem agressões e não tinham um lugar digno para serem acolhidas pelas forças de segurança.
E falando em Justiça, hoje nós somos representadas por uma mulher na presidência do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, a desembargadora Maria Helena Gargaglione Póvoas. Um marco para nós, uma representatividade que demonstra a todas que temos competência para realizarmos nossos sonhos e ambições. Nosso lugar é aonde desejamos estar.
Na minha história de vida, que todos conhecem, a adoção se faz presente. Fui adotada pela minha mãe, o que me fez ter uma grande ligação com a causa da adoção. E foi essa causa que me proporcionou conhecer a Lindacir Rocha Bernadon, presidente da Ampara, que tem uma história que inspira. Ela adotou três crianças e se dedica a orientar e transmitir informações sobre a adoção, para desmistificar ideias preconceituosas. Que exemplo!
Outra grande inspiração é a Tais Augusta de Paula, que é superintendente de Políticas Públicas para pessoas com deficiência. Ela pensa e vive a causa que defende, movimenta as pessoas a pensarem no próximo, nas dificuldades e busca sempre uma sociedade mais igualitária, em que todos possam ter oportunidades.
E o que falar das mulheres que dedicam suas vidas a alimentar o próximo. A oferecer o pão de cada dia. Como é o caso da pastora Fátima, que não apenas busca o alimento físico para os mais necessitados, como alimenta a alma com suas pregações. Outro grande exemplo é da Dona Pedrina que oferece sopão no bairro Jonas Pinheiro III em Cuiabá, além da Dona Maria Orli, que é a presidente da União Cuiabana dos Clubes de Mães, e da Rosângela, que faz marmitas para oferecer às pessoas que necessitam.
Nessa minha função como primeira-dama, tenho ao meu lado mulheres singulares, como a nossa secretária de Assistência Social e Cidadania, Rosamaria. A Rosa é uma grande amiga e parceira, que tem uma linda trajetória de vida, sempre a frente do seu tempo e que mostra seu valor em todas as tarefas que desempenha. Em nome dela, estendo a minha admiração a toda equipe e as primeiras-damas do nosso Estado que lutam para oferecer oportunidades iguais para as mulheres.
Todas mulheres fortes, que pensam e agem para ajudar pessoas que não conhecem. Só trabalham pelo simples fato de fazer o bem, para modificar a realidade em que se encontram.
Não foi apenas no exercício do trabalho voluntário nos projetos sociais, como o Vem ser Mais Solidário, o Ser Mulher, Ser criança, Ser Família, Ser Idoso, Ser Cidadão Indígena e Ser Inclusivo, que encontrei mulheres fantásticas, mas nas atividades simples do dia a dia, como é o caso da Daniele Salustiana dos Santos Silva, que cuida do nosso gabinete, da Dona Lenise Oliveira, que está conosco há 13 anos e nos ajuda no dia a dia, entre tantas outras mulheres guerreiras, com trajetórias extraordinárias de vida.
E o que dizer das nossas mulheres, profissionais da saúde, que estão na linha de frente do combate ao coronavírus. Médicas, fisioterapeutas, enfermeiras, técnicas e auxiliares de enfermagem, mulheres que cuidam da limpeza e da alimentação dos pacientes. Pessoas que deixaram de lado a própria família, para ajudar ao próximo, nesse momento único de pandemia. No anonimato trabalham sem descanso para salvar vidas. Em nome da Patrícia Neves, que é a diretora do Hospital Estadual Santa Casa, presto a minha homenagem a essas mulheres da saúde. Elas merecem todos os aplausos.
Por isso, sei que ao longo da minha vida, fui humildemente observando, assimilando e aprendendo com mulheres como essas, e tantas outras mato-grossenses, que somos capazes de fazer absolutamente tudo. Que o mundo precisa nos respeitar. Que somos fortes e precisamos de espaço.
Feliz dia da Mulher a todas as mulheres do nosso Estado, que lutam por uma sociedade justa e igualitária, com garra, delicadeza e  amor.
*Virginia Mendes é economista e primeira-dama de Mato Grosso

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