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Nesta sexta-feira tem Live de Natal da Almê com diversos artistas

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CELEBRAÇÃO DA CULTURA

 

Durante a Live também terá a performance do artista plástico Adriano Figueiredo, pintando uma tela, que será sorteada no final do evento.

 

Por Beatriz Saturnino

Para não passar em branco a festa de Natal, o ator André D`Lucca, em parceria com artistas mato-grossenses, as Secretarias de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) e de Cultura, Esporte e Lazer do Mato Grosso (Secel/MT), e a Unidade de Ações Sociais e Atenção à Família (Unaf), da primeira-dama, Virgínia Mendes, estarão realizando, nesta sexta-feira (18.12), às 20h, no Malcon Pub, a “Live de Natal da Almê”. Com a presença do Papai Noel, a anfitriã, Almerinda, estará recebendo Henrique Maluf e Banda, Roberto Lucialdo, Anselmo e Rafael, além de Ana Rafaela, com o melhor da música, além do humor de Xô Dito, por Thyago Mourão, e de Penépole, com Eduardo Butaka, e a apresentação do Grupo Flor Ribeirinha.

Durante a Live também terá a performance do artista plástico Adriano Figueiredo, pintando uma tela, que será sorteada no final do evento. As pessoas que quiserem concorrer a essa tela tem que comentar as palavras Cultura ou Arte, na publicação com a foto oficial do sorteio, no perfil do Instagram do André D`Lucca (@atorandredlucca), que dá vida à personagem Almerinda, além de seguir os perfis da primeira-dama Virgínia Mendes (@virginiamendes1), da Setasc (@setascmt) e da Secel (@secelmt).

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“O Governo do Estado cancelou a festa de Fim de Ano e de Natal, por conta da pandemia, é claro, para evitar aglomeração. Então, para não passar em branco e também a gente mostrar o valor dos artistas, que durante a pandemia ficou muito claro o valor da cultura e da arte para todo mundo, porque, imagina passar por este momento sem a música, sem as séries, sem as lives, por exemplo? As pessoas não teriam conseguido ter sanidade para ultrapassar esse momento”, destaca André D`Lucca.

O artista explica que teve esta ideia como uma forma de celebrar o valor da arte e desses artistas, sem deixar o Natal de lado, e que para isso houve uma união entre a Setasc, a Secel a Unaf, da primeira-dama, Virgínia Mendes, com a ajuda do secretário interino de Cultura, Esporte e Lazer do Estado, Alberto Machado, o Beto Dois a Um, que foi em busca de apoio, o que tornou possível a realização do show.

“Conseguimos também o apoio do Malcon Pub, que estará cedendo o espaço, a transmissão, projeção, cenário, luz e som; a Noivas e Glamour, que está vestindo os músicos da banda de apoio, e a Spiaki Salgados e Buffet. O músico Henrique Maluf também está me ajudando na produção”, diz D`Lucca.

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A live estará servindo o folclore, por meio do Flor Ribeirinha, com o Siriri; o Rasqueado, com Roberto Lucialdo; o sertanejo com Anselmo e Rafael; o humor com a Almerinda, por André D`Lucca, Xô Dito, com Thyago Mourão, e Penélope, com Eduardo Butaka, além da nova pegada da música com Henrique Maluf e Ana Rafaela, e as artes plásticas representada por Adriano Figueiredo.

A transmissão da Live poderá ser conferida pelo Facebook, por meio dos canais SETASCMT, SECELMT e VIRGINIAMENDESCUIABA.

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CULTURA

O cavalinho Xomano e o cuiabanês

Por Suelme Fernandes

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O mascote oficial do time Cuiabá E. C. é um peixe dourado apelidado de douradão, no seu emblema tem o marco do centro geodésico da América do Sul, que fica em frente a Câmara Municipal, na praça Pascoal Moreira Cabral (fundador de Cuiabá) e a cor da camisa do time é verde, como a cor da bandeira de Cuiabá.

Só faltava falar. Pra supresa dos cuiabanos o cavalinho do Cuiabá E.C. que aparece aos domingos no programa Fantástico tinha sotaque de caipira mineiro. Isso gerou uma grande revolta na cidade.

A resposta nas redes sociais foi imediata. Tantos ataques que o próprio Tadeu Schimdt teve que corrigir a falha grosseira da produção através de um vídeo na internet que viralizou. Nesse domingo passado, enfim o boneco batizado de Xomano apareceu falando com sotaque cuiabano. Cuiabanos e não cuiabanos vibraram com essa aparição.

A antropologia considera a língua de um povo, uma das suas principais marcas identitárias. Lenine Póvoas chamou essa identidade local, incluindo a língua de cuiabanidade.

Com a onda migratória dos anos 70/80 e do uso em escala de aparelhos de TVs e das novelas, o falar cuiabano passou por um de preconceito linguístico enorme. Inclusive nas escolas. Logo criou-se a oposição: nativos e estrangeiros, cuiabanos de pé ratchado e os pau rodados.

Afora, as controvérsias e críticas ao deboche exagerado no falar cuiabano, Liu Arruda nos anos 80 e sua icônica Comadre Nhara e Djuca representou uma resistência cultural da língua local aos chegantes através de seus causos e piadas de sátira a cariocas e gaúchos. Manifestações de personagens e humor que continuam nos dias atuais, com Comadre Pitú, Nico&Lau, Xô Dito, Totó Bodega e Almerinda. Sem contar o movimento musical do rasqueado que também participou dessa afirmação cultural e que renderia outro texto.

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Mas esse preconceito era coisa antiga.
Em 1921, o primeiro pesquisador que tentou entender esse dialeto foi o professor de Português da Escola Sen. Azeredo, Flanklin Cassiano da Silva que publicou o livro “Subsídios para o estudo da Dialectologia de Mato Grosso”.

O autor buscou as raizes linguísticas desse sotaque em determinadas regiões de Portugal como Minho e Tras os Montes. Sua iniciativa já era uma busca de valorização e aceitação desse dialeto e de luta contra o preconceito da época.

A partir daí vieram outros divulgadores desse linguajar, nos anos 70/80. Em 1978, Maria Francelina Ibrahim Drummond publicou o livro “Do Falar Cuiabano”. Nos anos 80/90 Moisés Martins, Wilian Gomes e Antônio Arruda publicaram dicionários com verbetes e expressões nativas.
Na mesma linha, em 2008, Pedro Rocha Jucá com o livro “Da Linguagem Cuiabana”.

Em comum, todos defenderam que o sotaque cuiabano é herança dos portugueses e/ou dos bandeirantes.

Em 2005 a UFMT, Instituto de Linguagem publicou “Vozes Cuiabanas: estudos linguísticos em Mato Grosso” organizado por Manoel Mourivaldo S. Almeida e Maria Inês Plagliarini Cox. Em 2014, a professora Cristina dos Santos lançou “Do Falar Cuiabano”.

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Nessas análises acadêmicas sobre esse “djeito de falar” definiram fonética e morfologicamente essa variação linguística, e não a língua em si, como sendo herança cultural dos povos indígenas, em especial dos Bororos e também dos africanos escravizados. Esses grupos representaram 65% da população no período colonial da Vila Real de Cuiabá .

Para o linguista Marcos Bagno que publicou vários livros sobre o tema, não existe português certo ou errado, porque a língua se renova exatamente pelas suas variações.

Os índios Bakairi na década de 1960/70 foram proibidos pela FUNAI de falar sua língua materna na aldeia. Passaram então a falar sua língua escondidos na mata. Por isso, atualmente falam sua língua nativa fluentemente.

Por analogia, diante da polêmica dos cavalinhos e da ida do Cuiabá E.C. para série A, percebi que o falar cuiabano que parecia morto,está vivíssimo.

A vitória do time que traz toda a simbologia da cidade reavivou o sentimento e a estima de cuiabanidade. E o antigo hábito de falar cuiabanês que sobrevivia restrito ao ambiente doméstico “no casa do mamãe ou do Titia” está voltando para as ruas, impulsionado pelas redes sociais com personagens como Xomano que mora ali, Xomano do Saber, Kbça Pensante entre outros.

O falar cuiabano não tinha morrido, ele só estava escondido! Língua não morre, ela evolui, quem morre são os falantes!

Suelme Fernandes, Historiador e Analista Político siga no Instagram @suelmefernandes.

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