AGRONEGÓCIOS
MPA divulga dados abertos sobre Mapas de Bordo e comercialização de sardinha-veradeira
O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) disponibilizou, neste mês de junho, duas novas bases de dados no Portal Brasileiro de Dados Abertos, em continuidade ao seu Plano de Dados Abertos. As informações atualizadas ampliam a transparência e o acesso público a dados estratégicos sobre a atividade pesqueira no Brasil.
Mapas de Bordo
A primeira base publicada reúne dados dos Mapas de Bordo, que é o documento oficial onde são declaradas as informações da pescaria realizada por uma embarcação de pesca. As informações prestadas nesses formulários têm finalidade de monitoramento e pesquisa, como subsídio ao ordenamento pesqueiro. Os registros incluem informações como identificação do mapa de bordo, portos de saída e chegada, datas, nome da embarcação, número do Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP), código INI, Unidade da Federação (UF), comprimento e Tipo de Embarcação (TIE).
Os dados são oriundos do sistema PesqBrasil, responsável por gerenciar informações sobre as operações das embarcações durante as atividades de captura, extração ou coleta de recursos pesqueiros.
Comercialização da sardinha-verdadeira
A segunda base diz respeito à espécie sardinha-verdadeira, com dados de comercialização registrados por empresas pesqueiras. As informações foram coletadas por meio do sistema LECOM e contemplam metadados como código, data do relatório, espécie, quantidade capturada (em kg) e valor pago por quilo (R$/kg).
Essas bases são fundamentais para pesquisadores, gestores públicos e demais interessados em acompanhar, estudar e promover a sustentabilidade e a regulamentação da pesca no Brasil.
Próxima base será sobre subvenção ao óleo diesel
A próxima base prevista no calendário do Plano de Dados Abertos do MPA será a da “Relação de fornecedores, beneficiários e embarcações participantes do programa de subvenção econômica ao preço do óleo diesel para embarcações pesqueiras”, com lançamento agendado para o mês de agosto.
AGRONEGÓCIOS
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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