Economia

Mineração movimentou mais de R$ 4,6 bilhões em um ano apenas em Mato Grosso

Publicados

em

Mineração tenta mudar estigmas por meio da tecnologia

JB News

Por Caroline Rodrigues

Profissionais recebem apoio das cooperativas e iniciam novos ciclos econômicos a partir da recuperação de áreas degradadas
Desatrelar a imagem do garimpo das explorações ilegais de minérios e organizar os empresários para buscar políticas públicas para o desenvolvimento da atividade são as principais dificuldades do setor mineral, que no ano passado movimentou mais de R$ 4,6 bilhões apenas em Mato Grosso, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (AMN).

O total comercializado rendeu R$ 86,79 milhões em Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cofem). Desse valor, 60% é repassado para os Municípios, 30% para o Estado e 10% para a União.

E para este ano, o resultado tem tudo para ser ainda mais consistente, já que, até setembro, o valor das negociações alcançaram R$ 5,1 milhões, uma quantia 10% maior que a registrada em todo ano de 2020.
Atualmente, Mato Grosso tem 13 cooperativas de mineração filiadas ao Sistema Organização das Cooperativas Brasileiras de Mato Grosso – Sistema OCB/MT -, sendo que 5 delas integram à Federação das Cooperativas Mineral de Mato Grosso (Fecomin).

Nelas, os relatórios da OCB apontam a existência de 7.184 associados, que atuam com os mais diversos produtos, que vão dos metais até argila, areia, cascalho, entre outros. Juntas, estima-se que as cooperativas gerem 8 mil empregos diretos e indiretos.

O presidente da Fecomin, Gilson Camboim, explica que a atividade legalizada está repleta de tecnologia e regras que a colocam em posições muito distantes das cenas reproduzidas na mídia e que chocaram muita gente décadas atrás.

“O conhecimento permitiu que os danos pudessem ser reduzidos e que projetos de recuperação passassem a ser aplicados com um resultado rápido. Sabemos que a extração é limitada e as áreas, depois de exploradas, são preparadas para atender outras atividades econômicas como pecuária, piscicultura e fruticultura, dando início a novos ciclos econômicos locais”, explica Camboim.

Uma outra alternativa vislumbrada por Camboim é a recuperação total da vegetação originária ou consorciada a fruticultura para o mercado de créditos de carbono. Ele acredita que com a evolução das discussões no âmbito ambiental, será uma alternativa rentável e sustentável. Contudo, um desafio será trabalhar a paciência dos garimpeiros, tendo em vista que o retorno financeiro é mais lento que da inserção da piscicultura, por exemplo.

Organização é essencial para o setor

Na avaliação de Camboim, a organização é algo importante para o desenvolvimento do setor, já que as organizações conseguem dialogar com as universidades e berços da tecnologia, bem como como instituições e órgãos governamentais, como objetivo de dar mais celeridade aos processos, bem como reivindicar políticas públicas para o setor, como os de fomento, que já são realidade em outras áreas.

O presidente da Federação acrescenta ainda que com as cooperativas, os associados têm acesso à uma série de profissionais e suportes, que custariam muito caros se acionados de forma particular, entre eles geólogos, biólogos e advogados.

Também há possibilidade de se instituir a compra e venda de produtos. Com a união dos cooperados, é possível conseguir um preço mais acessível pelos insumos e ainda formar uma quantidade atrativa para negociação comercial.

O ouro é luz em algumas comunidades

O principal produto de exploração mineral de Mato Grosso é o ouro, que corresponde a 76%(R$ 3,5 bilhões) do total movimentado no ano passado em Mato Grosso. Um dos casos de sucesso com relação a extração do minério e o desenvolvimento da economia local está na região de Peixoto de Azevedo.

Lá, a Cooperativa de Garimpeiros do Vale do Peixoto (Coogavepe) se apresentou com um divisor de água. A atual presidente, Solange Barbosa, explica que a região foi tomada pela ocupação desordenada de garimpeiro entre os anos de 1970 e 1980, mas que aquela realidade foi superada por conta do cooperativismo.

Muitas pessoas foram atraídas para região na época da abertura da BR-163 após uma “fofoca” – como se fala entre os garimpeiros – de que se havia ouro em abundância. E naquela época, realmente ele aflorava na margem dos rios e há relatos de pessoas que “trupicavam” em pepitas nas ruas da cidade.

Contudo, Solange explica que era uma atividade desordenada, que trazia problemas sociais seríssimos e que não deixavam nada em contrapartida para região. As vendas dos produtos extraídos quase nunca passavam pelos órgãos oficias e como resultado não geravam impostos, que são essenciais para a melhoria da estrutura das cidades.

Visualizando a situação, um grupo de 23 pessoas iniciou o processo de formação da cooperativa, que se tornou ainda mais necessária com a presença e cobrança mais firme dos órgãos governamentais.
Hoje, todo o ouro extraído da região é vendido de forma legal e no ano passado rendeu R$ 15 milhões ao Município em impostos – Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cefem) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A região de atuação da cooperativa, que compõem 8 municípios, também não se tem mais nenhum ponto de extração sequer semelhante aos barracos de lonas em meio a escavações, como na época da abertura da rodovia.

“Trabalhamos a parte cultural e também oferecemos condições técnicas das pessoas trabalharem, seguindo a legislação e promovendo as compensações ambientais necessárias. Hoje, as áreas são reabilitadas para novos ciclos econômicos como a pecuária, agricultura e piscicultura”, explica.

Um dos desafios para os próximos anos, conforme a análise de Solange, é atrair investidores e consolidar políticas públicas para o desenvolvimento das novas atividades. Ela acredita que já é hora de se pensar em um frigorífico de peixes, por exemplo, e em indústrias para o beneficiamento dos produtos produzidos na área, seja de origem mineral, seja do aproveitamento dos espaços depois de recuperados.

SomosCoop – A Organização das Cooperativas Brasileiras de Mato Grosso – Sistema OCB/MT – é uma entidade formada por 3 instituições que fazem papéis distintos e ao mesmo tempo interligados, focados no suporte às cooperativas: OCB/MT – Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras de Mato Grosso; Sescoop/MT – Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Mato Grosso; e o I.Coop – Faculdade de Cooperativismo.

COMENTE ABAIXO:
Leia Também:  MT vota por manter prorrogação de congelamento de ICMS, mas maioria dos estados vota contra

Agricultura familiar

Governo de MT já investiu R$ 168 milhões para fomentar cadeias produtivas da agricultura familiar

Publicados

em

Por

Mais de 130 mil produtores rurais estão sendo beneficiados com as entregas realizadas, que incluem equipamentos, maquinários, assistência técnica e regularização fundiária

Rose Domingues | Secom-MT

Equipamentos para Agricultura Familiar – Foto por: Mayke Toscano/Secom-MT

O Governo de Mato Grosso promove um investimento histórico na agricultura familiar com recursos que vão ultrapassar R$ 265 milhões até o final de 2022, com a proposta de alavancar a economia dos municípios mato-grossenses. De 2019 a 2021, o balanço de recursos destinados à área soma mais de R$ 168 milhões.

Os investimentos contemplam cadeias produtivas em todas as regiões do Estado. Além de investir em equipamentos para as famílias e cooperativas de trabalhadores, o Governo também oferece infraestrutura aos municípios para que melhorem a logística de escoamento da produção ao consumidor interno e externo.

Para o governador Mauro Mendes, a organização das contas do Estado foi fundamental para garantir recursos em caixa e assim investir nas áreas prioritárias, como é o caso da agricultura familiar. “Vim de família da agricultores familiares e investir nesse setor é, de certa forma, uma homenagem aos meus pais que me criaram em um sítio no interior de Goiás”.

Leia Também:  Sergio Moro é hostilizado em sua rede social

A prefeita de Carlinda, Carmelinda Martines Coelho, comemora que o município possui mais de R$ 6 milhões assegurados para fazer asfalto, aduelas, reformar escolas e ampliar o atendimento na saúde e agricultura familiar. “Esse governo tem uma forma diferente de administrar, promove parcerias com as prefeituras e busca o desenvolvimento de todas as regiões”.

Entre as entregas já feitas somente no ano passado estão: 58 patrulhas mecanizadas; 500 resfriadores de leite; 1,4 mil caixas de mel; 40 mil doses de sêmen bovino; 2,15 mil prenhezes de embriões bovinos; 60 mil toneladas de calcário; 22 distribuidores de calcário; 77 veículos; 85 máquinas e 7 caminhões.

O prefeito de Colíder, Hemerson Máximo, o Maninho, explica que os municípios enfrentam um grave problema com maquinários muito antigos e destaca como positivo” os investimentos do Governo na área de infraestrutura e agricultura familiar. “Esse esforço vai contribuir com retomada da economia, não tem como haver desenvolvimento sem boas estradas, sem apoio ao produtor rural, agradecemos o apoio, pois é fundamental deixar o município bem estruturado para receber investimentos”.

Leia Também:  Bebê de 9 meses é salvo em Cuiabá após sofrer afogamento

Na opinião do prefeito de Gaúcha do Norte, Voney Rodrigues Goulart, as máquinas e entregues estão ajudando os municípios a enfrentar o período mais chuvoso, melhorando o acesso e a segurança nas estradas. Já o prefeito de Cotriguaçu, Olírio dos Santos, avalia que as máquinas vão ajudar principalmente os municípios carentes, que têm muitas estradas não pavimentadas.

MT Produtivo

Em janeiro do ano passado, o Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), também fez entregas importantes a partir do programa MT Produtivo: 42 patrulhas mecanizadas, 200 resfriadores de leite, 100 caixas de mel e 7,6 mil doses de sêmen bovino.

Atualmente, o Estado possui aproximadamente 130 mil produtores que vivem da agricultura familiar e que também estão sendo beneficiados, desde 2019, com a desoneração fiscal nas principais cadeias produtivas, como café, cacau, leite, mel, banana, limão, maracujá, piscicultura, extrativismo da castanha e produção de flores tropicais. Além disso, o Governo adquire os produtos da agricultura familiar para a merenda das escolas estaduais, valorizando e incentivando a produção local.

 

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

VÁRZEA GRANDE

POLÍTICA

POLICIAL

MAIS LIDAS DA SEMANA