AGRONEGÓCIOS
Mapa institui SHIVA para modernizar certificação fitossanitária
Foi publicada nesta sexta-feira (28), no Diário Oficial da União, a Portaria Mapa nº 779, de 27 de fevereiro de 2025, que oficializa o uso do Sistema Hiper Integrado de Vigilância Agropecuária (SHIVA) no âmbito do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O sistema será utilizado para emitir certificados fitossanitários eletrônicos, como o e-Phyto, para produtos de origem vegetal. A iniciativa representa um avanço na digitalização e na eficiência do comércio exterior brasileiro.
De acordo com a portaria, os exportadores devem solicitar o e-Phyto pelo módulo de Licenças, Permissões, Certificados e Outros Documentos de Exportação (LPCO), disponível no Portal Único de Comércio Exterior. Antes da solicitação, é necessário consultar os produtos e os requisitos fitossanitários exigidos pelo país de destino no site do SHIVA, acessível em https://shiva.agro.gov.br/pub.
Após a emissão, o certificado será transmitido eletronicamente ao país de destino. Também será disponibilizado em formato PDF, com QR Code e assinatura eletrônica para validação de autenticidade. Os exportadores poderão consultar o número do certificado e a chave de validação tanto no LPCO quanto no site do SHIVA, onde também é possível verificar sua legitimidade. Esse processo substitui métodos manuais, garantindo mais segurança, eficiência e agilidade.
A Portaria nº 779 entra em vigor imediatamente, trazendo benefícios diretos ao setor agropecuário, como a redução da burocracia, a aceleração da liberação de cargas e a diminuição de custos operacionais. Além disso, a medida integra o Brasil às práticas de comércio adotadas pelos principais mercados mundiais.
O QUE É O EPHYTO?
O e-Phyto, abreviação de “electronic phytosanitary certificate”, é uma solução eletrônica desenvolvida pela Convenção Internacional para a Proteção dos Vegetais (CIPV). Utilizada globalmente, a ferramenta transforma os dados dos certificados fitossanitários tradicionais em informações digitais padronizadas, permitindo trocas rápidas e econômicas entre países. No Brasil, o sistema utiliza dados do Portal Único de Comércio Exterior, assegurando precisão e confiabilidade.
Com o SHIVA e o e-Phyto, o Mapa reforça seu compromisso com a transformação digital do agronegócio, oferecendo aos exportadores uma solução moderna e alinhada às demandas do comércio internacional.
Informações à imprensa
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AGRONEGÓCIOS
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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