CULTURA

Exposição Santos da Baixada abre programação cultural dos 50 anos da UFMT

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A exposição Santos da Baixada migra de Rosário Oeste para Cuiabá. No dia 13 de fevereiro, às 20 horas, os artistas Luzo Reis e Antônio Siqueira recebem o público para a abertura da temporada na capital mato-grossense.

A mostra fica em cartaz no Museu de Arte e Cultura Popular da UFMT até o dia 13 de março e pode ser conferida gratuitamente, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30.

Com seus registros de festejos populares, os fotógrafos eternizaram momentos singulares das festas de santo realizadas na Baixada Cuiabana. Eles percorreram nove municípios captando a essência da religiosidade do povo ribeirinho expressa em suas tradições.

O pró-reitor de Cultura, Extensão e Vivência da UFMT, Fernando Tadeu de Miranda Borges pontua que a exposição inaugura a programação cultural de comemoração dos 50 anos da Universidade Federal de Mato Grosso.

“E ela realça não só a forte relação da instituição com a sociedade, como também, reafirma o compromisso que temos com a cultura popular de nosso Estado. A UFMT continua trilhando um caminho de ampliar o conhecimento científico, mas sempre respeitando os saberes populares”.

Beleza com simplicidade

Fernando Tadeu alça o valor simbólico dos trabalhos. “Essa exposição é ouro. Ouro nos 50 anos da universidade. As fotos são reveladoras de todo o modo de viver de uma sociedade e neste caso, transpõe o cotidiano do ribeirinho. E o divino disso tudo, fica visível”.

Para o pró-reitor, as imagens trazem a beleza com simplicidade. “Elas são exuberantes nas cores. Além disso, nas festas de santo, tudo acontece. É um ambiente político. Amizades são fortalecidas, surgem casais, milagres e a imaginação e imaginário ficam visíveis”.

Ele celebra o fato de ter entre os expositores, um funcionário da Procev. “Para nós é um orgulho abrir a temporada com os trabalhos de Luzo Reis”.

Prata da casa

A exposição também entusiasma a coordenadora do Centro Cultural, Thania Monteiro de Arruda. “Além do trabalho fotográfico de muita qualidade, ele é funcionário da universidade. É a primeira vez que temos dentre os artistas expositores um agente cultural da UFMT”, destaca.

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Com o catálogo da exposição em mãos, ela contempla as fotos e revive também um pouco de sua história. “Cuiabana de pai e mãe, das tradicionais famílias Ponce de Arruda (por parte de pai) e Cuiabano Monteiro da Silva (por parte de mãe), frequentei muitas festas de santo em Cuiabá. Me unia à família na preparação da comida, cultivava a religiosidade e até dançava siriri”, se diverte.

De acordo com Luzo Reis, a mostra traz registros de festas em Cuiabá, Várzea Grande, Poconé, Nossa Senhora do Livramento e nas comunidades de Bom Jardim, em Nobres; Mimoso, em Barão de Melgaço; Varginha, em Santo Antônio do Leverger e Mata Grande, em Chapada dos Guimarães.

Festança nas comunidades ribeirinhas

A ideia surgiu em 2015, quando Luzo se reencontrou com o primo, Antônio Siqueira, morador de Rosário Oeste.

A partir daquele [re]encontro os dois se viram várias vezes e a convite de Antônio cumpriram circuito de festas da região.

“Antônio é personalidade já conhecida por todos na cidade. Desde a década de 1990 registra festas de santo e o cotidiano de Rosário. Com sua humildade, vê na deferência e nos trejeitos despojados de seu povo atributos de uma vida virtuosa que alia trabalho duro, com momentos de partilha, fé e alegria”, declara Luzo.

Por sua vez, Antônio diz que aprendeu muito com essa troca de experiência.

“A criatividade e a técnica de Luzo foram inspiradoras para o meu trabalho. Foi uma troca que vivenciamos, não só com as pessoas das comunidades por onde passamos, mas principalmente, entre dois parentes, dois fotógrafos”, se diverte.

Além de trabalhar, Siqueira “entrega” que os dois se divertiram muito nas festas e morador de Rosário, ele conta que já tem ouvido muitos burburinhos. “Dia desses, quando viu o banner de divulgação uma moça me ligou para contar que era o avô dela que estava na foto. O resultado do projeto tem sido alvo de muita expectativa nas comunidades”.

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Na região, eles frequentaram as festas à Nossa Senhora da Guia, na comunidade de Igrejinha; em homenagem a Nossa Senhora da Piedade, no bairro Taboão e da festa da Rua da Barra, no centro de Rosário, que é em devoção a São Benedito.

O projeto de pesquisa e documentação fotográfica de Luzo e Antônio é fruto da curiosidade dos fotógrafos em conhecer os festejos, as peculiaridades existentes em cada localidade e as histórias por trás das festas. Explora a riqueza imagética e outras manifestações culturais e artísticas que não podem faltar a elas, como o cururu, siriri, procissões, ladainhas, adoração, lambadão e culinária ribeirinha, dentre outros elementos.

O projeto foi aprovado por edital da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) e conta com apoio das prefeituras de Chapada dos Guimarães, Rosário Oeste, Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Vivência, da Universidade Federal de Mato Grosso e Museu de Arte e Cultura Popular.

Em caráter itinerante, logo, a exposição chega à Chapada dos Guimarães.

Serviço:

Exposição Santos da Baixada

De Luzo Reis e Antônio Siqueira

Circulação Cuiabá

Abre dia 13 de fevereiro, às 20h e segue até o dia 13 de março

Visitação gratuita, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30.

O Museu de Arte e Cultura Popular está instalado no Centro Cultural da Universidade Federal de Mato Grosso, que fica na avenida Edgar no Centro Cultural Vieira, S/N, Boa Esperança, Centro Cultural da UFMT Cuiabá-MT.

Saiba mais:

fb.com/santosdabaixadaexpo

@santosdabaixada_

www.santosdabaixada.com

Lidiane Barros

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CULTURA

Dos antepassados aos dias atuais: Livro contará história de Vera Capilé 

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Em seus encontros com Vera Capilé, o historiador Luiz Gustavo Lima tem aplicado a metodologia da Tecnologia Social da Memória para realizar pesquisa

Com base nas diretrizes da Tecnologia Social da Memória, metodologia de pesquisa e registro utilizada pelo Museu da Pessoa (SP), o historiador Luiz Gustavo Lima realiza imersão pelas memórias da artista Vera Capilé. O resultado poderá ser conferido em breve, em livro proposto em projeto documental que a homenageia e que foi selecionado no edital Mestres da Cultura.

Luiz Gustavo tem se encontrado regularmente com Vera e também, participou como ouvinte das gravações do documentário. Este, dirigido por Juliana Capilé. Um terceiro produto é uma coletânea com clássicos da carreira de Vera.

“Nesse processo, começamos pelos antepassados dela. Nossa sorte foi que o pai de Vera, seo Sinjão Capilé, e o irmão Júlio, escreveram um livro que conta a saga da família, desde a saída dos Capilé, do interior de São Paulo até chegar em Dourados, Mato Grosso do Sul, quando com Mato Grosso, formava um único Estado. Isso foi lá pelo final do século 19”.

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Então, o registro ancestral é bem fiel. “Sinjão, por exemplo, nasceu na década de 1920 já em Dourados. Então, ela tem esse conhecimento dos primórdios da família, desde Mato Grosso do Sul até a transição para Cuiabá quando bem cedo, ela já começa seu precoce envolvimento com as artes, sempre com o canto, com o teatro”, conta Luiz Gustavo.

O livro segue contando a história de Vera até os dias atuais. As conversas que levavam em média duas horas, foram se desdobrando ao longo de quatro encontros.

Segundo o historiador, dentre os pontos mais marcantes dos relatos de Vera, está a presença muito marcante do pai em sua vida. “Ela esteve sempre muito conectada a ele. Uma figura muito expressiva, um grande orador, político e ainda, um homem das artes, seresteiro, gostava de cantar e tocar violão. Então, há essa facilidade na comunicação, uma das grandes heranças dele para Vera”.

A sensibilidade artística de Vera é tão presente em sua vida que alcança até mesmo a carreira que construiu na Psicologia. “Vera é especializada em psicogerontologia, ciência que se dedica aos cuidados dos idosos e ela se orgulha muito disso e faz com arte”.

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Luiz Gustavo conta que ao ouvir Vera, se emocionava constantemente. “Vê-la construindo a narrativa foi emocionante. Ela carrega uma força descomunal. Tem uma dinâmica da pessoa que entende o valor de sua história. Ao falar e ao seu ouvir, ela vai de certa forma se empoderando ainda mais”.

Para arrematar a coleta de dados, o historiador considera que acompanhar as gravações do documentário foi fundamental. “Ouvi depoimentos de amigos muito próximos, como Ivens Scaff, Jaime Okamura, Vitória Basaia, Glória Albues, Lúcia Palma e o companheiro Waldir Bertúlio, além de amigas de infância e as irmãs que convivem muito perto dela. Os relatos acrescentaram dados complementares”.

O projeto proposto pela produtora cultural Tatiana Horevicht, foi contemplado pelo edital Mestres da Cultura, idealizado pelo Governo de Mato Grosso via Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), em parceria com o Governo Federal via Secretaria Nacional de Cultura do Ministério do Turismo.

  Por Lidiane Barros

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