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Exposição de geração em geração será realizada no São Gonçalo Beira Rio

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Exposição de geração em geração em São Gonçalo Beira Rio, berço da cultura Matogrossense

JB News

 ‘De geração em geração’ denomina a exposição de artesanato em cerâmica, que será realizada em São Gonçalo Beira Rio, no próximo dia 8 de março, com abertura ás 20h, no centro cultural da comunidade. A exposição permanecerá por um mês, poderá ser visitada das 9h às 17h, e se estenderá até o aniversário de Cuiabá, dia 8 de abril, ocasião em que a Capital completará 302 anos.

 

A exposição tem o apoio do Governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Cultura, Ministério do Turismo, com o suporte da Lei Aldir Blanc. Ao todo serão 30 obras entre potes, moringas, jarros e outras que poderão ser comercializadas no local. As peças são produzidas pelas ceramistas Julia Rodrigues da Conceição, Cleide Rodrigues, Cirley Rodrigues, Juracy Marcelina da Conceição e Ademir Rodrigues da Conceição. São cinco irmãos que nasceram na comunidade de São Gonçalo Beira Rio, e que herdaram da mãe, Maria Leite Moraes da Conceição, todo o talento com manuseio do barro.

A exposição ‘De geração em geração’ é uma homenagem dos filhos, que reverenciam por meio da arte a sua mãe que foi uma das pioneiras na cerâmica na comunidade, um grande exemplo de guerreira, que trabalhou muito e deixou um legado de conhecimento para a sua família.

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A cerâmica, além de ser uma expressão artística, se tornou por muito tempo a fonte de renda das famílias que moram à margem do Rio Cuiabá, de onde se extrai o barro, a principal matéria-prima para a confecção das peças. Há uma dedicação muito grande, desde a retirada do barro, o processo de preparação, a criação de uma peça, a moldagem, o acabamento e a queima no forno para a conclusão da peça.

A tradição dessa arte vem sendo repassada dos avós para os pais e também para os filhos, seguindo várias gerações, a exemplo de D. Maria, que repassou aos seus filhos, Ademir, Julia, Cleide, Cirley e Jura. Desde a infância, eles carregam os valores que são os símbolos da cultura cuiabana. Com determinação, colocam a mão na massa e manejaram o barro com perfeição, expressando o carinho pelas peças produzem, sendo utilitárias ou decorativas.

A comunidade São Gonçalo Beira Rio, berço da cultura mato-grossense, tem o seu reconhecimento pelas tradições culturais, especialmente a dança e o artesanato em cerâmica. O trabalho realizado pelas famílias reflete o desejo de manter viva a identidade cultural da comunidade.

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Conforme a coordenação da exposição ‘De geração em geração’ o evento que permanecerá por um mês, fortalecerá o trabalho dos artesãos, além de proporcionar a abertura de novas oportunidades e a divulgação desta arte secular desenvolvida na comunidade. O objetivo é preservar a tradição de fazer da argila um instrumento de trabalho que gera emprego e renda, além de consolidar e manter viva a trajetória da cultura da comunidade.

São Gonçalo Beira Rio é um dos bairros mais antigos, desde o surgimento nas margens do rio Cuiabá em 1719. Com a decadência da produção de açúcar em Mato Grosso, mas com argila abundante nas margens do rio, muitas famílias tiveram a sabedoria de aproveitar o barro, tornando a cerâmica artesanal um meio de sobrevivência. As peças eram comercializadas antes no Porto, logo depois a produção alcançou outros mercados. Por muitos anos, as peças eram levadas para a Casa do Artesão. A cerâmica de São Gonçalo também se destacou em grandes feiras e eventos dentro e fora do estado, se tornou referência no contexto da arte regional.

 
  Por Malu Sousa
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CULTURA

Dos antepassados aos dias atuais: Livro contará história de Vera Capilé 

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Em seus encontros com Vera Capilé, o historiador Luiz Gustavo Lima tem aplicado a metodologia da Tecnologia Social da Memória para realizar pesquisa

Com base nas diretrizes da Tecnologia Social da Memória, metodologia de pesquisa e registro utilizada pelo Museu da Pessoa (SP), o historiador Luiz Gustavo Lima realiza imersão pelas memórias da artista Vera Capilé. O resultado poderá ser conferido em breve, em livro proposto em projeto documental que a homenageia e que foi selecionado no edital Mestres da Cultura.

Luiz Gustavo tem se encontrado regularmente com Vera e também, participou como ouvinte das gravações do documentário. Este, dirigido por Juliana Capilé. Um terceiro produto é uma coletânea com clássicos da carreira de Vera.

“Nesse processo, começamos pelos antepassados dela. Nossa sorte foi que o pai de Vera, seo Sinjão Capilé, e o irmão Júlio, escreveram um livro que conta a saga da família, desde a saída dos Capilé, do interior de São Paulo até chegar em Dourados, Mato Grosso do Sul, quando com Mato Grosso, formava um único Estado. Isso foi lá pelo final do século 19”.

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Então, o registro ancestral é bem fiel. “Sinjão, por exemplo, nasceu na década de 1920 já em Dourados. Então, ela tem esse conhecimento dos primórdios da família, desde Mato Grosso do Sul até a transição para Cuiabá quando bem cedo, ela já começa seu precoce envolvimento com as artes, sempre com o canto, com o teatro”, conta Luiz Gustavo.

O livro segue contando a história de Vera até os dias atuais. As conversas que levavam em média duas horas, foram se desdobrando ao longo de quatro encontros.

Segundo o historiador, dentre os pontos mais marcantes dos relatos de Vera, está a presença muito marcante do pai em sua vida. “Ela esteve sempre muito conectada a ele. Uma figura muito expressiva, um grande orador, político e ainda, um homem das artes, seresteiro, gostava de cantar e tocar violão. Então, há essa facilidade na comunicação, uma das grandes heranças dele para Vera”.

A sensibilidade artística de Vera é tão presente em sua vida que alcança até mesmo a carreira que construiu na Psicologia. “Vera é especializada em psicogerontologia, ciência que se dedica aos cuidados dos idosos e ela se orgulha muito disso e faz com arte”.

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Luiz Gustavo conta que ao ouvir Vera, se emocionava constantemente. “Vê-la construindo a narrativa foi emocionante. Ela carrega uma força descomunal. Tem uma dinâmica da pessoa que entende o valor de sua história. Ao falar e ao seu ouvir, ela vai de certa forma se empoderando ainda mais”.

Para arrematar a coleta de dados, o historiador considera que acompanhar as gravações do documentário foi fundamental. “Ouvi depoimentos de amigos muito próximos, como Ivens Scaff, Jaime Okamura, Vitória Basaia, Glória Albues, Lúcia Palma e o companheiro Waldir Bertúlio, além de amigas de infância e as irmãs que convivem muito perto dela. Os relatos acrescentaram dados complementares”.

O projeto proposto pela produtora cultural Tatiana Horevicht, foi contemplado pelo edital Mestres da Cultura, idealizado pelo Governo de Mato Grosso via Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), em parceria com o Governo Federal via Secretaria Nacional de Cultura do Ministério do Turismo.

  Por Lidiane Barros

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