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‘Equidade não é custo, é estratégia de desenvolvimento’, afirma Márcia Lopes em seminário do Pró-Equidade de Gênero e Raça

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O seminário “Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça: Mais mulheres na liderança, mais equidade nas empresas, mais igualdade no mundo do trabalho” reuniu, nesta terça-feira (2), em Brasília, representantes de 65 empresas públicas, privadas e mistas, órgãos do governo federal e organismos internacionais. Promovido pelo Ministério das Mulheres, por meio da Secretaria Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados, o encontro reafirmou a importância de enfrentar as desigualdades no mundo do trabalho e de ampliar a presença de mulheres, especialmente mulheres negras, em cargos de direção e em setores estratégicos da economia.

Ao abrir o painel da tarde, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou que a desigualdade salarial e a sub-representação de mulheres em espaços de poder são incompatíveis com o país que o governo e a sociedade querem construir. “As mulheres ganham, em média, 21,2% a menos do que os homens, e as mulheres negras 53,4% a menos. É uma situação inadmissível, incompreensível […]. Equidade não pode ser retórica, é método; não é promessa, é política pública; não é custo, é uma estratégia de desenvolvimento”, afirmou a ministra.

Márcia Lopes ressaltou que a luta por igualdade não se restringe ao governo federal. “A nossa luta tem que ser de todos os governos, estaduais e municipais, do Parlamento, do sistema de Justiça, do Ministério Público e dos movimentos sociais, de quem de fato tem compromisso com outro país e com outro mundo”, disse. Para ela, a desigualdade no trabalho tem raízes na sobrecarga do cuidado.

“A desigualdade no trabalho tem uma raiz estrutural: a sobrecarga do cuidado, o cuidado que historicamente recai sobre as mulheres e limita a renda, a formação, a empregabilidade e a presença nos espaços de liderança”, lembrou. “Por isso, a regulamentação do Plano Nacional de Cuidados é um marco deste governo: organiza o cuidado como responsabilidade pública e abre caminhos para que as mulheres tenham condições reais de desenvolver suas carreiras e liderar empresas, instituições e setores da economia”, destacou.

Estatais como referência e expansão para o setor privado

A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, enfatizou o papel das empresas estatais na promoção da diversidade e na defesa da equidade de gênero e raça, destacando que elas podem ser referência para o setor privado. “Das 44 empresas estatais federais, 27 participam do Programa. Já é um número importante, mas ainda é pouco diante do que podemos fazer”, afirmou, lembrando que, entre as 88 empresas participantes da edição atual, 28 são públicas, o que revela um potencial ainda grande de expansão.

Esther destacou que o governo federal tem utilizado instrumentos para estimular o compromisso com a igualdade de gênero. “Recentemente, regulamentamos a lei de licitações, garantindo vantagem em caso de empate para empresas que tenham ações efetivas de equidade de gênero, e aprovamos a lei que reserva 30% das vagas em conselhos de administração para mulheres. Nosso desafio é acelerar essa implementação e garantir que espaços historicamente dominados por homens se abram de fato para as mulheres e para pessoas negras”, explicou. Segundo a ministra, iniciativas de formação voltadas a gestores, como o curso de liderança para os homens do século XXI, buscam “ensinar os homens o que é ser líder em um ambiente em que pessoas diversas possam prosperar”, destacou.

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Autonomia econômica, feminicídio e projeto de país

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, relacionou diretamente a pauta da equidade no trabalho com o enfrentamento ao feminicídio e às violências de gênero e raça. “Muitas vezes as mulheres se sujeitam a situações de violência por falta de autonomia financeira […], presa em um relacionamento que começa a te matar antes mesmo de acontecer um feminicídio”, disse.

Anielle também destacou a importância da presença de mulheres nos espaços de poder. “Quanto mais mulheres nos espaços de poder, mais diversidade teremos. Enquanto normalizarmos e naturalizarmos o ódio contra aquelas que mais sofrem neste país, não teremos o projeto político de país no qual acreditamos”, declarou.

Participaram também do painel Ana Carolina Querino, da ONU Mulheres; Vinícius Pinheiro, da Organização Internacional do Trabalho (OIT); Anatalina Lourenço da Silva, chefe da Assessoria de Participação Social e Diversidade do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE); Ana Paula do Rego Menezes, diretora-presidente da Hemobrás; e Henriete Alexandra Sartori Bernabé, vice-presidente de Riscos da Caixa Econômica Federal.

Cuidados, reparação e a vida para além do trabalho

Na parte da manhã, o seminário contou com dois painéis voltados às trajetórias e experiências de mulheres em espaços de liderança e em profissões historicamente masculinizadas. O painel “A Trajetória de Mulheres em Cargos de Gestão” apresentou o depoimento de quatro mulheres que ascenderam profissionalmente e hoje ocupam posições estratégicas em diferentes setores. Com mediação da secretária Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados, Rosane Silva, o diálogo reuniu Ana Paula Repezza, diretora de Negócios da ApexBrasil; Glenda Nobrega, gerente executiva de Diversidade e Inclusão da Caixa Econômica Federal; Tereza Cristina de Oliveira, diretora de Administração da Embrapa; e Alessandra Souza, vice-presidenta de Marketing e Comunicação de Marca do Grupo Stellantis para a América do Sul.

Rosane Silva reforçou que o debate sobre equidade no mundo do trabalho precisa estar articulado à agenda do cuidado e à reparação histórica com as mulheres negras. Ela lembrou que milhões de mulheres vivem do trabalho doméstico remunerado e que essas trabalhadoras são, em sua maioria, negras. “Não é por acaso que hoje nós temos cerca de seis milhões de mulheres que vivem do trabalho doméstico remunerado. Muitas vezes, quando as mulheres entram no mercado de trabalho, principalmente as mulheres negras, o único lugar oferecido para elas é exatamente o trabalho doméstico”, destacou.

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Para Rosane, a presença de mulheres em todos os espaços das empresas é decisiva para mudar essa realidade. “É a mulher olhando para o lado e encontrando outro ser humano, sabendo que essa pessoa tem uma vida além do trabalho, que precisa ser organizada e compartilhada com todo mundo. É por isso que precisamos de mulheres em todos os níveis das organizações”, concluiu.

Em seguida, o painel “Lugar de Mulher é onde ela quiser!” trouxe relatos de mulheres que exercem profissões majoritariamente ocupadas por homens, evidenciando como romperam barreiras e seguem inspirando outras trabalhadoras a desafiar padrões no mercado formal de trabalho. Mediado por Simone Schaffer, coordenadora-geral de Promoção da Igualdade Econômica das Mulheres, o debate contou com a participação de Juliana Iracy Santos Balbi, segundo-oficial de Máquinas da Marinha Mercante (agente de manobras) na EMGEPRON; Sabrina Ferreira de Carvalho, soldadora especializada na NUCLEP; a imunologista Maria Aparecida Lima da Silva, assistente em Imunologia de Transplantes e Medicina Personalizada no Hospital de Clínicas de Porto Alegre; e Dionara Nunes, diretora de Operações da Montagem do Grupo Stellantis.

Programa Pró-Equidade completa 20 anos

Coordenado pelo Ministério das Mulheres, por meio da Secretaria Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados (SENAEC), o Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça está em sua 7ª edição e é desenvolvido em parceria com o Ministério da Igualdade Racial, o Ministério do Trabalho e Emprego, a ONU Mulheres e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Ao longo de 20 anos, 246 organizações já aderiram à iniciativa, com nove empresas presentes desde a primeira edição. Na edição atual, que se encerra em junho de 2026, participam 88 empresas das cinco regiões do país, de setores como transporte, bancos e finanças, telecomunicações, saúde, construção, energia, pesquisa, indústria química e farmacêutica, entre outros. Juntas, elas empregam cerca de 750 mil trabalhadoras e trabalhadores e movimentam aproximadamente R$ 800 bilhões na economia brasileira.

 Assista à transmissão ao vivo

 

Fonte: Ministério das Mulheres

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CPNU 2: Mais de 24 mil mulheres são classificadas para provas discursivas

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O Concurso Público Nacional Unificado (CPNU 2), em sua segunda edição, reforça o compromisso do Governo do Brasil com a inclusão, acessibilidade e equidade. Um dos destaques desta edição é a quantidade de mulheres que passaram para a segunda fase do certame. Das 42.499 pessoas aprovadas e convocadas para as provas deste domingo (7/12), 24.275 são mulheres, o que representa 57,12% do total. 

Além de abranger candidatas e candidatos de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal, as listas contemplam todas as modalidades de cotas de pessoas negras, indígenas, quilombolas e com deficiência, consolidando o compromisso do governo federal em construir um serviço público mais representativo da sociedade brasileira por meio de um modelo inovador de seleção.

O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) implementou a ação afirmativa para garantir que, quando mulheres representassem menos de 50% das pessoas classificadas em um cargo, fosse aplicada a equiparação numérica, desde que as candidatas tivessem alcançado o mínimo de acertos exigido.

A equiparação não retira vagas de nenhum homem aprovado, que permanecem classificados. A medida chama mais mulheres elegíveis para a segunda fase, ampliando a pluralidade.

Um exemplo do impacto da medida é o cargo de Analista Técnico de Justiça e Defesa do Bloco 7. Antes da equiparação, havia 888 mulheres e 1.490 homens classificados. Com a ação afirmativa, 731 mulheres adicionais foram incluídas, garantindo o equilíbrio na participação para a fase discursiva.

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A decisão busca corrigir uma distorção observada no CPNU 1, onde, apesar de as mulheres serem a maioria nas inscrições (56%) e terem uma presença expressiva na prova (54%), somaram apenas 37% das aprovações finais.

“Esta medida é mais do que uma dimensão técnica do Concurso Nacional Unificado. É, exatamente, a gente reiterar as diretrizes que são da Constituição brasileira e que são de um governo democrático e popular”, declarou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, à época da abertura das inscrições do concurso.  

Em diversas Unidades da Federação, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal, as mulheres são maioria entre as classificadas. A proporção feminina também se destaca em estados como Pernambuco, Paraíba, Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte.

Além da equidade de gênero, o CPNU 2 se consolida como o primeiro concurso público federal a aplicar integralmente a nova Lei de Cotas (Lei nº 15.142/2025). Ao todo, 35% das vagas do concurso são destinadas a ações afirmativas.

Acessibilidade garantida

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O concurso também garante igualdade de condições para pessoas candidatas com necessidades específicas por meio de ações de acessibilidade e atendimento especializado. O edital prevê uma série de adaptações razoáveis e o fornecimento de tecnologias assistivas, como provas em braile e videoprova em Libras, e condições específicas, como mesas adaptadas para pessoas em cadeira de rodas.

Situações como o direito de gestantes e lactantes a atendimento especializado também estão contempladas. Haverá salas para amamentação para mães com filhos de até seis meses, que solicitaram previamente e comparecerem acompanhadas de um adulto responsável. Gestantes puderam solicitar medidas adicionais de conforto e segurança.

Pessoas que fazem uso de marca-passo, bombas de insulina, pinos cirúrgicos ou outros dispositivos metálicos, bem como aquelas com doenças infectocontagiosas, também foram orientadas previamente e têm direito a atendimento especializado.

Acompanhe todas as informações oficiais na página do Concurso Público Nacional Unificado: gov.br/concursonacional

Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom-PR) e do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos.

Fonte: Ministério das Mulheres

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