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Entidades lançam projeto para fomentar uso de softwares livres em arquitetura, urbanismo e engenharia

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Por Carolina Jardine

Promover, cada vez mais, o uso e o desenvolvimento de softwares livres e gratuitos para todos os profissionais é o principal objetivo do projeto Solare – Software Livre para Arquitetura e Engenharia –, lançado na última quinta-feira 03, durante live do 44º Encontro Nacional de Sindicatos de Arquitetos e Urbanistas (Ensa). Em uma grande parceria entre a Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA), a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), a Associação Brasileira de Ensino de Arquitetura e Urbanismo (Abea) e a Federação Nacional de Estudantes de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (FeNEA), a iniciativa visa difundir os programas já existentes no mercado, como o Linux, o LibreOffice ou o FreeCAD.

Conforme explicou o secretário da FNA Danilo Matoso, que é um dos criadores do Solare, o software livre “é aquele que respeita a liberdade e o senso de comunidade dos usuários”. Nesse formato, é possível executar, copiar, distribuir e melhorar o software livremente, dispondo do acesso ao código-fonte do programa publicamente. “Temos que controlar os meios de produção pelo qual trabalhamos. É direito nosso, como coletividade, definir a maneira como trabalhamos”, enfatizou. Para além da democratização dos programas, um software livre também foge dos padrões de obsolescência programada dos tradicionais programas pagos, que sofrem atualizações e acabam não aceitando formatos antigos de arquivo. “O que vai ser da geração de arquitetos que fez toda sua produção digitalizada e que não sabe se vai ter sistema pra ler arquivos binários no futuro?”, questionou Matoso.

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Do time dos criadores do FreeCAD, o arquiteto belga Yorik van Havre explicou em qual lógica o software livre trabalha. “Você cria o seu próprio método de trabalhar. Você é o artesão que deveria saber e decidir qual é a melhor ferramenta”, afirmou. Com todo o código aberto, os usuários do programa podem fazer sugestões de melhorias e suplementos, além de criar relatórios de problemas no sistema, a fim de ajudar a solucioná-los. Assim, se cria uma rede colaborativa de profissionais engajados em torno do programa. “A gente costuma dizer que o FreeCAD é um projeto social antes de ser um projeto tecnológico”, pontuou.

Representando a FeNEA, a diretora geral da entidade, Francieli Schallenberger, destacou a importância que iniciativas como essa têm entre os estudantes de Arquitetura e Urbanismo, que podem começar a refletir sobre as sistemáticas de trabalho mesmo antes de se formarem. “Se o desenvolvedor controla o programa, por meio dele, ele controla os usuários. Então, se esse instrumento não é livre, é um instrumento de poder”, pontuou.

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A live completa pode ser conferida no link https://www.youtube.com/watch?v=iR58Hqyaxs4&t=1841s.

O Ensa é uma promoção da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas conta apoio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR).
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44º ENSA

Desenvolvimento deve vir do empoderamento local diz Dowbor

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Um dia depois do resultado das urnas que sacramentou os rumos das cidades brasileiras pelos próximos quatro anos, a força do desenvolvimento local e das cidades como agentes de mudança social foi defendido com veemência em encontro raro dos professores Ladislau Dowbor, Silke Kapp e Ermínia Maricato na concorrida mesa de abertura do 44º Encontro Nacional de Sindicatos de Arquitetos e Urbanistas (Ensa). Com agenda virtual em 2020 em função da pandemia, o evento é uma promoção da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas (FNA) com apoio CAU. “O empoderamento local é fundamental.

A cidade é nossa, mas ela não vai ser nossa enquanto a gente não se juntar. Acho fundamental abrir a cabeça das pessoas. Quando abrir a cabeça das pessoas vão parar de acreditar em fake news e vão se apropriar de seus destinos”, proclamou o economista e autor de obras aclamadas. Convicto de que os problemas do Brasil têm uma natureza política e não econômica, ele manifestou preocupação com uma sociedade criada em cidades muradas onde estamos criando uma geração de moleques doentes, que têm medo de ir ali fora. “Isso é patológico”, alertou defendendo que vivemos em um momento de botar os pés para fora da academia.

Fazendo críticas ao modelo de produção e desenvolvimento do Brasil, o professor sinalizou que o desafio é fazer para que o dinheiro sirva para o que é realmente necessário.

A falta de crédito e de estímulo à produção agrava a situação. A pandemia de 2020 explicitou a forma absurda como estamos organizados na sociedade, um cenário de desigualdade em um país rico. “Com um PIB de R$ 7,3 trilhões e considerando a população brasileira concluímos que temos uma renda de R$ 11 mil por mês por família de quatro pessoas. O que a gente produz é suficiente para todo mundo. A desigualdade e o meio ambiente são os icebergs de nosso Titanic”, comparou.

“Nosso problema não é econômico é político e social.” Dowbor defendeu um papel mais ativo do governo da economia e de mudança na visão relacionada aos gastos públicos. “É preciso ver serviços públicos como investimento não como gasto.

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Cada R$ 1,00 gasto em saneamento significa menos R$ 4,00 em saúde.’ E alertou que é possível, por exemplo, produzir um celular na China e vender no Brasil, mas é impossível gerar saúde, segurança em outros países e querer que cheguem ao Brasil. “O papel das cidades e do planejamento local é essencial. A coisa só vai funcionar quando, bairro por bairro, as pessoas garantirem que vai funcionar o posto de saúde”, exemplificou. E citou que esse empoderamento não precisa vir apenas do governo, mas emanar da própria sociedade. “Não basta esperar que a Câmara de Vereadores vai resolver”, indicou o economista que defende abertamente a descentralização financeira como forma de auxiliar as diferentes regiões do Brasil e auto fomentar em seu desenvolvimento.

A fala ecoou a manifestação da arquiteta e urbanista Ermínia Maricato, que também fez defesa do poder local. “Não vamos resolver o problema do Brasil na praça dos três poderes, mas na praça onde as pessoas moram, onde podem controlar o orçamento.”

Convicta da relevância da profissão e da necessidade de torná-la menos elitizada, Ermínia defendeu que os arquitetos e urbanistas sejam os grandes protagonistas da implementação da lei de ATHIS e de implementação da extensão universitária. “Vamos tirar as universidades das paredes e colocar os alunos resolvendo problemas concretos.”
Apesar de admitir que não se sabe bem como a nova classe trabalhadora vai se organizar, ela pontua que o caminho não vem do nada, mas de uma experiência histórica e popular. “Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem e sim sobre aquelas com que se defrontam. As tradições de todas as gerações mortas oprimem como um pesadelo o cérebro dos vivos”, citou.

A mesa de abertura do 44º ENSA foi mediada pela presidente da FNA, Eleonora Mascia, e ainda contou o presidente do CAU, Luciano Magalhães, que reforçou a união das entidades de arquitetura na elaboração e encaminhamento da Carta aos Prefeitos. O encontro também teve participação do vice-presidente da CUT, Vagner Freitas. Reforçando a ação de sindicatos que enfrentam esse momento difícil, Freitas salientou a necessidade se recriar as coisas. “Precisamos chegar aos novos trabalhadores que são diferentes e evoluir para manter o protagonismo da causa dos trabalhadores”.

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Propondo uma análise profunda dos dilemas que relacionam à arquitetura e suas formas de intervenção na sociedade, a professora Silke Kapp trouxe um olhar diferenciado sobre como o fazer arquitetônico pode transformar o espaço pelo trabalho humano. Segundo ele, arquitetos e urbanistas não precisam mais atuar para manter-se na posição de “dominados entre os dominantes”. Uma profissão que vem com alguns dilemas que a tornam meio esquizofrênica. Segundo ela, apesar de serem criados para produzir obras extraordinárias, que podem atrair renda de diversos setores para um determinado lugar e fazer dele fonte de renda e mecanismo de financeirização, 99% dos arquitetos e urbanistas atuam em um tipo de projeto que funciona na extração de valor e não de atração de renda.

Crítica da ação do arquiteto como alguém capaz de mudar a vida das famílias com desenhos e janelas, ela conclamou os participantes da transmissão a refletir sobre intervenções que realmente empoderem os menos favorecidos e ajudem a fornecer instrumentos para aumentar a autonomia dessas pessoas.

Segundo a professora é possível “fazer muito mais do que isso”, lembrando que muito pouco mudou no mercado da construção apesar de as pessoas referirem-se a um novo mundo do trabalho. “A ideia é pensar em outro registro, em uma lógica anticapitalista mesmo. Não é chegar lá e fazer um desenho que a vida da pessoa ficar bem, abrir uma janela aqui a sua vida vai melhorar. É preciso criar interface, meios para as pessoas se empoderarem e combater a injustiça e lutar por seus direitos.”

Imagem: Reprodução Youtube

Na foto: Ladislau Dowbor

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