AGRONEGÓCIOS
Em coletiva de imprensa, Fávaro destaca eficiência do sistema sanitário brasileiro em coletiva sobre gripe aviária
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, concedeu entrevista coletiva nesta quarta-feira (4), na sede do Ministério, em Brasília, para atualizar a imprensa sobre a situação da gripe aviária no Brasil. Na ocasião, reforçou o compromisso do governo com a transparência, a sanidade animal e a segurança dos alimentos, destacando a eficácia do sistema brasileiro frente à emergência zoossanitária.
Também participaram da coletiva o secretário-executivo adjunto, Cléber Soares, o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luis Rua, o diretor substituto do Departamento de Saúde Animal (DAS), Bruno Cotta; e o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (DIPOV), Hugo Caruso.
“Esse tipo de crise se enfrenta com informação. Nosso papel está sendo o de total transparência das ações, dos casos, das investigações, de todo o processo passo a passo, tanto para o mercado, para os nossos importadores internacionais, como também e, principalmente, para a população brasileira. Da segurança dos frangos, dos ovos. Essa tranquilidade a gente precisa passar”, afirmou Fávaro.
O ministro destacou que, diante do primeiro caso confirmado em granja comercial, todas as providências foram tomadas rapidamente, conforme os protocolos internacionais. Segundo ele, o Brasil já está na metade do período de vazio sanitário, com 14 dias cumpridos sem novas mortes de aves.
“É importante dizer que, nesta crise, mostramos ao mundo algo que é um grande diferencial comercial. O fato de um dia isso acontecer e de, no dia em que aconteceu, termos tido uma resposta tão rápida, é a prova cabal de como o sistema brasileiro é robusto. Só para fazer uma analogia: nos Estados Unidos já foram abatidas 170 milhões de aves. No Brasil, 17 mil”, disse.
Fávaro explicou que o sistema funcionou e que os resultados já permitem otimismo quanto à retomada das exportações. “A expectativa é de que, ao final dos 28 dias, a gente possa reduzir significativamente as restrições comerciais, até a volta completa à normalidade.”
O ministro também reforçou que o Brasil continuará em estado de emergência, com ampliação dos processos de investigação e divulgação das informações. “É fundamental que qualquer suspeita, seja de animal silvestre, de criações domésticas ou comerciais, seja investigada e tenha total transparência.”
Atualmente, há oito casos sob investigação, nenhum em granja comercial. O último caso investigado nesse tipo de estabelecimento, localizado em Antagorda, no Rio Grande do Sul, deu negativo. “Hoje são 69 casos de animais silvestres confirmados. Esses casos não geram restrição comercial.”
Fávaro explicou que, até o momento, 21 países impuseram suspensão total às exportações brasileiras. Outros 15 restringiram apenas o estado do Rio Grande do Sul, e dois países suspenderam apenas as exportações provenientes do município de Montenegro (RS). Segundo ele, o Ministério já iniciou negociações com vários desses países.
Atualmente, 21 países mantêm suspensão total das exportações brasileiras de carne de aves em decorrência do caso de gripe aviária registrado em granja comercial. São eles: China, União Europeia, México, Iraque, Coreia do Sul, Chile, Filipinas, África do Sul, Peru, Albânia, Canadá, República Dominicana, Uruguai, Malásia, Argentina, Timor-Leste, Marrocos, Índia, Sri Lanka, Macedônia do Norte e Paquistão. O Ministério da Agricultura ressalta que, em alguns desses mercados, o comércio já era reduzido ou inexistente antes da ocorrência do foco.
“A União Europeia já encaminhou um questionário para a observação da avicultura. Nós já respondemos e estamos devolvendo, com a expectativa de que eles reduzam a restrição comercial. A China também já iniciou tratativas. México, Iraque, Coreia do Sul, África do Sul. São dezenas de países que já começaram as negociações”, afirmou.
Fávaro também destacou que o momento é simbólico para a agropecuária nacional. Nesta sexta-feira (7), o Brasil deve receber o certificado da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) de país livre de febre aftosa sem vacinação.
“É um dia histórico para a agropecuária brasileira. Sessenta e quatro anos de luta contra a febre aftosa. Isso muda o status sanitário e as oportunidades comerciais para a pecuária, para a suinocultura, para ovinos e caprinos. É mais uma comprovação de como o sistema sanitário brasileiro é eficiente, forte, robusto e que está cada vez mais garantindo a qualidade dos produtos brasileiros para os nossos consumidores e para os nossos compradores internacionais”.
SUSPENSÃO PREVENTIVA NA PRODUÇÃO DE REFRIGERANTE NO CEARÁ
Para evitar a propagação de fake news e garantir transparência, o ministro Carlos Fávaro anunciou ainda durante coletiva nesta quarta-feira (4) a suspensão temporária da produção de refrigerantes em uma indústria no Ceará, após a identificação de uma possível falha no sistema de resfriamento. A medida é preventiva e não há risco para os consumidores.
A produção foi interrompida pela própria empresa, em conjunto com o Ministério da Agricultura e Pecuária. O processo de verificação e manutenção está em andamento.
Os produtos já fabricados estão retidos na indústria. Amostras foram enviadas para um laboratório especializado em São Paulo e o resultado da análise deve sair em até cinco dias. A liberação da comercialização depende da confirmação de que não houve contaminação.
Segundo Fávaro, a substância usada no processo é etanol de grau alimentício, diferente de compostos tóxicos como o dietilenoglicol. “Estamos sendo cautelosos, com foco na segurança e na confiança dos consumidores brasileiros”, afirmou.
Informações à imprensa
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AGRONEGÓCIOS
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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