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Dos antepassados aos dias atuais: Livro contará história de Vera Capilé 

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Em seus encontros com Vera Capilé, o historiador Luiz Gustavo Lima tem aplicado a metodologia da Tecnologia Social da Memória para realizar pesquisa

Com base nas diretrizes da Tecnologia Social da Memória, metodologia de pesquisa e registro utilizada pelo Museu da Pessoa (SP), o historiador Luiz Gustavo Lima realiza imersão pelas memórias da artista Vera Capilé. O resultado poderá ser conferido em breve, em livro proposto em projeto documental que a homenageia e que foi selecionado no edital Mestres da Cultura.

Luiz Gustavo tem se encontrado regularmente com Vera e também, participou como ouvinte das gravações do documentário. Este, dirigido por Juliana Capilé. Um terceiro produto é uma coletânea com clássicos da carreira de Vera.

“Nesse processo, começamos pelos antepassados dela. Nossa sorte foi que o pai de Vera, seo Sinjão Capilé, e o irmão Júlio, escreveram um livro que conta a saga da família, desde a saída dos Capilé, do interior de São Paulo até chegar em Dourados, Mato Grosso do Sul, quando com Mato Grosso, formava um único Estado. Isso foi lá pelo final do século 19”.

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Então, o registro ancestral é bem fiel. “Sinjão, por exemplo, nasceu na década de 1920 já em Dourados. Então, ela tem esse conhecimento dos primórdios da família, desde Mato Grosso do Sul até a transição para Cuiabá quando bem cedo, ela já começa seu precoce envolvimento com as artes, sempre com o canto, com o teatro”, conta Luiz Gustavo.

O livro segue contando a história de Vera até os dias atuais. As conversas que levavam em média duas horas, foram se desdobrando ao longo de quatro encontros.

Segundo o historiador, dentre os pontos mais marcantes dos relatos de Vera, está a presença muito marcante do pai em sua vida. “Ela esteve sempre muito conectada a ele. Uma figura muito expressiva, um grande orador, político e ainda, um homem das artes, seresteiro, gostava de cantar e tocar violão. Então, há essa facilidade na comunicação, uma das grandes heranças dele para Vera”.

A sensibilidade artística de Vera é tão presente em sua vida que alcança até mesmo a carreira que construiu na Psicologia. “Vera é especializada em psicogerontologia, ciência que se dedica aos cuidados dos idosos e ela se orgulha muito disso e faz com arte”.

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Luiz Gustavo conta que ao ouvir Vera, se emocionava constantemente. “Vê-la construindo a narrativa foi emocionante. Ela carrega uma força descomunal. Tem uma dinâmica da pessoa que entende o valor de sua história. Ao falar e ao seu ouvir, ela vai de certa forma se empoderando ainda mais”.

Para arrematar a coleta de dados, o historiador considera que acompanhar as gravações do documentário foi fundamental. “Ouvi depoimentos de amigos muito próximos, como Ivens Scaff, Jaime Okamura, Vitória Basaia, Glória Albues, Lúcia Palma e o companheiro Waldir Bertúlio, além de amigas de infância e as irmãs que convivem muito perto dela. Os relatos acrescentaram dados complementares”.

O projeto proposto pela produtora cultural Tatiana Horevicht, foi contemplado pelo edital Mestres da Cultura, idealizado pelo Governo de Mato Grosso via Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), em parceria com o Governo Federal via Secretaria Nacional de Cultura do Ministério do Turismo.

  Por Lidiane Barros

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Olímpio Bezerra resgata peças do lixo e as transforma em suportes para universos líricos

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Em tempos de pandemia, exposição de Olímpio traz alento aos olhos e coração

O que já parecia não ter mais utilidade, com Olimpio Bezerra ganha um novo sentido. O artista nascido em São Paulo, mas radicado em Cuiabá, é perito em dar vida a peças descartadas.

Cenas românticas dos rincões do Brasil ganham novo destaque na exposição “Lembranças”, em cartaz no Foyer do Cine Teatro, entre os dias 1º e 15 de abril. A mostra está aberta à visitação, de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h e aos sábados, das 9h às 12h.

Seguindo rigorosos protocolos sanitários, tem lotação limitada a 30 pessoas. Além de estações com álcool gel disponíveis, será realizada a aferição de temperatura com termômetro infravermelho e o uso de máscaras é obrigatório.

Pedaços de madeiras, objetos e móveis que foram parar no lixo, como portas de armário, cabeceiras de cama e discos de vinil, a partir de sua intervenção, passam a “sediar” universos líricos onde seus personagens convivem harmonicamente com a natureza e cenários repletos de cores.

Suas peças são permeadas por uma aura de nostalgia, que cujas memórias o conectam ao tempo em que viveu no interior de São Paulo, das situações cotidianas do campo.

O artista declara que a exposição “Lembranças”, é um mergulho na infância. “Nestes tempos tão difíceis, quero compartilhar minha arte repleta de emoções positivas. Esse tempo me devolve tantos prazeres naturais de criança esperta que sobe em pé de fruta, pula da ponte e mergulha no rio. Que cavalga em pangaré, cata lenha para a fogueira, de jovem que namora nas praças, sentado em namoradeiras, em frente ao coreto de praças”.

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E de outro lado, o artista enfatiza que o projeto selecionado em edital da Lei Aldir Blanc, realizado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer (Secel-MT), também estimula a consciência ambiental.

“Ao reciclar objetos de descarte em lixões estou colaborando com a preservação do meio ambiente e nessa prática, acabo por revisitar um passado recente onde não perdíamos nada e nem jogávamos fora mobiliário que, em muitos casos, eram herança de família”.

Olímpio conta que tem o costume de sempre recordar a infância na roça. “Faço isso para me alegrar ou para contar aos meus filhos e netos as melhores aventuras. Parte da minha infância foi na roça e as doces lembranças que trago comigo daqueles tempos são daquele período e lugar. O título dessa exposição é para lembrar o passado”, explica.

O crítico de arte Oscar D´Ambrosio assina o prefácio do catálogo, ressaltando a relação afetiva de Olímpio e suas obras. “Na sua visão harmoniosa do mundo, o artista constrói um universo pessoal em que as raízes das profundezas do Brasil vêm à tona com toda força e beleza”.

Já o secretário de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), Beto Machado, destacou a importância da mostra inédita. “Olímpio é um dos nomes mais importantes da arte naïf em Mato Grosso. Sua arte singela, repleta de simplicidade e cores, enche os olhos e o coração em um tempo tão crítico do ponto de vista social”.

Então, quem estiver de passagem pelo Centro de Cuiabá não deve perder a oportunidade de apreciar as novas obras do artista que tem no currículo dezenas de exposições em várias regiões do país, como a Bienal Naif de São Paulo e exposições internacionais em museus de Nápole (Itália), Nice (França) e Pequim (China).

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Autodidata

Olímpio dos Santos Bezerra é artista plástico há 30 anos, a primeira exposição aconteceu em 1977, com a participação no Salão de Embu (SP), onde recebeu menção honrosa.

Autodidata, natural de Araçatuba (SP), tem o currículo recheado de prêmios e medalhas. Suas telas integram acervos nos Estados Unidos, França, Grécia, Alemanha e Itália.

No Salão Jovem Arte Mato-grossense diversas participações. Ele foi um dos organizadores do acervo do Museu Rondon de Araçatuba (SP). Na década de 1980 viajou com o cantor Belchior divulgando a ecologia no Rio Grande do Sul.

Foi também nesta década que participou de eventos voltados à arte primitiva na Europa. Suas obras em diferentes suportes e formatos evidenciam não só o interior de São Paulo, como também o interior de Mato Grosso, em imagens que espalham alegria, e cores intensas.

A mostra foi selecionada em edital da Lei Aldir Blanc, idealizado pelo Governo de Mato Grosso, via Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer (Secel-MT) em parceria com o Governo Federal, via Secretaria Nacional de Cultura do Ministério do Turismo.

Serviço:

Exposição “Lembranças”

De 1º a 15 de abril – entrada gratuita

Foyer do Cine Teatro

Visitação de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h e aos sábados, das 9h às 12h

Informações: (65) 99212-5009 / 99925-8248 / 99284-0228

Lidiane Barros
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