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Bonsucesso completará 72 anos de criação de Distrito nesta quarta-feira

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Nesta quarta-feira (23.09), o Distrito de Bonsucesso, em Várzea Grande – MT, completará 72 anos de história nesta quarta-feira.


Bonsucesso, é reconhecido por ser uma região turística dentro da cidade, e suas comidas típicas e guloseimas, assim como a rapadura produzida de forma ainda  artesanal,o moinho de cana, e o peixe que já é um prato típico da região. E as redes feitas a mão são os grandes destaques que tipificar a comunidade.

O Distrito de Bonsucesso foi registrado em  23 de Setembro de 1948, vai completar 72 anos, nesta quarta-feira 23, pela Lei estadual n. 126 de autoria do Deputado Licínio Monteiro da Silva.

Conforme o historiador Wilson Tavares, os últimos documentos de criação do distrito quanto a propriedade de terra, foram datados de 1866, os documentos já falavam de transmissão de herança de terras.
Assim, ele ressalta que as informações quanto a ocupação das terras da região, incluindo o distrito, em que criou a Sesmaria de Bonsucesso, as quais foram terra de Justino Antonio da Silva Claro, e Seo Fião, pois era o Tataravô de seu Fião, dono da maioria das terras naquele tempo, e aparecem também terras no nome de Dona Teonila e familia, foram datadas em 1823, que este espaço de tempo na historia são insignificantes.
“Diante de todo o levantamento histórico da região ficaram sendo marcados para alguns, a data reconhecida entre  15 ou 16, como alguns mais antigos relatam, nós afirmamos pela fala de inclusive de Seo Fião, ser 16 de Outubro de 1823, portanto 197 anos em 2020”, diz o historiador.

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Dona Eliane da Silva, presidente da Vila Nova de Bonsucesso, filha de uma das rendeiras mais antigas, inclusive falecida, disse a reportagem que a região carece de muito apoio dos poderes públicos para dar continuidade na fabricação de peças artesanais, como por exemplo, as redes tecidas a mão, pela falta de incentivo esta deixando de existir, e nos próximos anos pode ser que não aconteça mais. Segundo, dona Eliane ficou ainda pior nos últimos tempos, devido a um vendaval que ocorreu no último dia 14 de outubro de 2019, devastando toda a comunidade. “De lá pra cá, ninguém mais veio nos ajudar a reconstruir Bonsucesso, e amargamos no descaso.


De acordo com dona Eliane, além da falta de políticas públicas para o desenvolvimento do turismo, não tem atendimento de saúde na região, creches e espaço de lazer, e cursos profissionalisantes para a juventude que ainda resistem na comunidade.

Representatividade

A comunidade não conta com nenhum representante no legislativo municipal,  e nestas eleições de 2020, o jovem Ribeirinho Roberto Ribeiro da Rosa, em nome da população de Bonsucesso, resolveu ser uma opção para resgatar a tradição e a cultura da região.

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Para Roberto, a idéia de ser um pré-candidato a vereador, veio por conta das inúmeras promessas nunca realizadas para o desenvolvimento do local pelo poder público, diante do quadro negativo em que se encontra, e é o único nome da comunidade para representar os debates necessários para toda região de Bonsucesso.

 

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O cavalinho Xomano e o cuiabanês

Por Suelme Fernandes

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O mascote oficial do time Cuiabá E. C. é um peixe dourado apelidado de douradão, no seu emblema tem o marco do centro geodésico da América do Sul, que fica em frente a Câmara Municipal, na praça Pascoal Moreira Cabral (fundador de Cuiabá) e a cor da camisa do time é verde, como a cor da bandeira de Cuiabá.

Só faltava falar. Pra supresa dos cuiabanos o cavalinho do Cuiabá E.C. que aparece aos domingos no programa Fantástico tinha sotaque de caipira mineiro. Isso gerou uma grande revolta na cidade.

A resposta nas redes sociais foi imediata. Tantos ataques que o próprio Tadeu Schimdt teve que corrigir a falha grosseira da produção através de um vídeo na internet que viralizou. Nesse domingo passado, enfim o boneco batizado de Xomano apareceu falando com sotaque cuiabano. Cuiabanos e não cuiabanos vibraram com essa aparição.

A antropologia considera a língua de um povo, uma das suas principais marcas identitárias. Lenine Póvoas chamou essa identidade local, incluindo a língua de cuiabanidade.

Com a onda migratória dos anos 70/80 e do uso em escala de aparelhos de TVs e das novelas, o falar cuiabano passou por um de preconceito linguístico enorme. Inclusive nas escolas. Logo criou-se a oposição: nativos e estrangeiros, cuiabanos de pé ratchado e os pau rodados.

Afora, as controvérsias e críticas ao deboche exagerado no falar cuiabano, Liu Arruda nos anos 80 e sua icônica Comadre Nhara e Djuca representou uma resistência cultural da língua local aos chegantes através de seus causos e piadas de sátira a cariocas e gaúchos. Manifestações de personagens e humor que continuam nos dias atuais, com Comadre Pitú, Nico&Lau, Xô Dito, Totó Bodega e Almerinda. Sem contar o movimento musical do rasqueado que também participou dessa afirmação cultural e que renderia outro texto.

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Mas esse preconceito era coisa antiga.
Em 1921, o primeiro pesquisador que tentou entender esse dialeto foi o professor de Português da Escola Sen. Azeredo, Flanklin Cassiano da Silva que publicou o livro “Subsídios para o estudo da Dialectologia de Mato Grosso”.

O autor buscou as raizes linguísticas desse sotaque em determinadas regiões de Portugal como Minho e Tras os Montes. Sua iniciativa já era uma busca de valorização e aceitação desse dialeto e de luta contra o preconceito da época.

A partir daí vieram outros divulgadores desse linguajar, nos anos 70/80. Em 1978, Maria Francelina Ibrahim Drummond publicou o livro “Do Falar Cuiabano”. Nos anos 80/90 Moisés Martins, Wilian Gomes e Antônio Arruda publicaram dicionários com verbetes e expressões nativas.
Na mesma linha, em 2008, Pedro Rocha Jucá com o livro “Da Linguagem Cuiabana”.

Em comum, todos defenderam que o sotaque cuiabano é herança dos portugueses e/ou dos bandeirantes.

Em 2005 a UFMT, Instituto de Linguagem publicou “Vozes Cuiabanas: estudos linguísticos em Mato Grosso” organizado por Manoel Mourivaldo S. Almeida e Maria Inês Plagliarini Cox. Em 2014, a professora Cristina dos Santos lançou “Do Falar Cuiabano”.

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Nessas análises acadêmicas sobre esse “djeito de falar” definiram fonética e morfologicamente essa variação linguística, e não a língua em si, como sendo herança cultural dos povos indígenas, em especial dos Bororos e também dos africanos escravizados. Esses grupos representaram 65% da população no período colonial da Vila Real de Cuiabá .

Para o linguista Marcos Bagno que publicou vários livros sobre o tema, não existe português certo ou errado, porque a língua se renova exatamente pelas suas variações.

Os índios Bakairi na década de 1960/70 foram proibidos pela FUNAI de falar sua língua materna na aldeia. Passaram então a falar sua língua escondidos na mata. Por isso, atualmente falam sua língua nativa fluentemente.

Por analogia, diante da polêmica dos cavalinhos e da ida do Cuiabá E.C. para série A, percebi que o falar cuiabano que parecia morto,está vivíssimo.

A vitória do time que traz toda a simbologia da cidade reavivou o sentimento e a estima de cuiabanidade. E o antigo hábito de falar cuiabanês que sobrevivia restrito ao ambiente doméstico “no casa do mamãe ou do Titia” está voltando para as ruas, impulsionado pelas redes sociais com personagens como Xomano que mora ali, Xomano do Saber, Kbça Pensante entre outros.

O falar cuiabano não tinha morrido, ele só estava escondido! Língua não morre, ela evolui, quem morre são os falantes!

Suelme Fernandes, Historiador e Analista Político siga no Instagram @suelmefernandes.

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