topo.jpg
Segunda-feira - 25 de Junho de 2018
OPINIAO - 17/06/2015 - 13:49
 
O PT na marca do pênalti: o desafio de Dilma Rousseff
 
   
   
 

 

O PT na marca do pênalti: o desafio de Dilma Rousseff [PARTE II]

Na segunda matéria da série, entenda por que uma intervenção militar, outra demanda dos protestos de março e abril, representa um passo atrás

Thiago Cury

Convém agora entender a segunda reivindicação das manifestações de março e abril e as suas implicações na esfera política: intervenção militar. Justiça seja feita, eis aqui uma demanda com menor apelo que o impeachment, mas que se viu espalhada em cartazes, faixas e selfies com a PM. Ainda que a gestão de Dilma Rousseffdesaponte uma parte considerável da população, pleitear um regime encabeçado por generais é retroceder. Um dos desafios da presidente é inverter o pensamento, provando que a democracia é a melhor configuração política com vistas à vida boa.

A vida boa, aliás, foi o combustível dos gregos para a instauração da política como elemento fundamental da relação entre poder e população. Foi em Atenas, primeiro resquício de democracia, que surgiu uma nova ordem na polis [termo que deu origem à política]. A partir de então, a relação entre quem governava e era governado não seria mais definida pelas narrativas mitologias ou explicada pelas vontades divinas. O indivíduo não tinha autonomia para governar, mas deliberava publicamente sobre suas vontades, angústias e necessidades. Esse manifesto público ocorria naquilo que os gregos convencionaram chamar de Ágora [uma espécie de praça]. E se o homem chegou à conclusão de que seria melhor assim e passou a agir em função de novos parâmetros, é porque nem sempre foi dessa forma.

Se a política começou na Grécia, o poder já existia. No período que antecedeu a invenção da política, as relações se davam pela tirania [ou despotismo]. Além de totalitário, o regime concentrava nas mãos do mandatário as esferas econômica, religiosa e militar. Ele era o detentor das terras e da força de trabalho, ou seja, não havia ainda a ideia de bem público; apresentava-se como sacerdote [a representação divina na Terra legitimava o seu domínio sobre as coisas e as pessoas]; e também a ele era resguardado o poder armado. O governante, então, tinha a autoridade de definir sobre guerra e paz, sobre quem poderia viver ou deveria morrer.

Está claro, pois, que a instituição da política como modo mais ponderado de gerenciamento entre poder e comunidade representou um rompimento: se a política tem como meta a vida boa, improvável a viabilização desta numa relação de tirania, intimidação e violência cometida pelo governante, quem deveria zelar pelos parâmetros inversos. É sua incumbência impedir que as mazelas acometam a população. Porém, quando deixa de barrá-las e ainda dispõe desses recursos,presenciamos o enfraquecimento da política, e políticos e cidadãos são colocados em patamares desiguais.

Assim, a política começou a vigorar como paradigma das ciências práticas. E por quê? Segundo Platão, o homem é um ser desejante: ama aquilo que não tem e, quando tem, já não deseja mais. Se a sua capacidade de ambicionar não tem limites, o mundo não dispõe de elementos suficientes para sanar as suas exigências. Mesmo porque outras pessoas também anseiam o mesmo que ele. Para que não haja a “guerra de todos contra todos”, por meio de um contrato social os indivíduos concluem que é preciso ter alguém capaz de fazer a gestão das vontades coletivas [eis aqui uma teoria consagrada pelo pensamento contratualista]. Saímos, então, do estado de anarquia para ingressar na política, o instrumento que tenta pôr em prática condições de igualdade entre todos.

A partir de agora, é possível pontuar uma definição para política: a administração de interesses distintos, sem a necessidade da violência, num mundo em que as demandas surgem em quantidade maior do que os objetos de desejo. O que havia antes do poder eram pequenos grupos não organizados, nômades e desprovidos do logos [que pode ser entendido como palavra e, ao mesmo tempo, pensamento], que se digladiavam por bens que eram escassos, como alimento e artefatos. Com a emergência do poder tirano, o mandatário passou a controlar mais a agressividade entre seus súditos, porém ele em si era alguém violento [neste momento, o sedentarismo havia sido adotado pela espécie humana como modo de vida]. Como se não bastasse deter o armamento e a autonomia sobre o seu uso, o déspota dispunha do monopólio da autoridade local.

Demandar pelo retorno da ditadura é exigir o retrocesso, retomando valores de um período bem remoto da nossa história.Telmo Antonio Dinelli Estevinho, professor e pesquisador daUniversidade Federal de Mato Grosso, lembra que o perfil dos protestos deste ano retomou características de 1964, ano que inaugurou o regime militar no Brasil. “Muita gente na Ciência Política diz que os grupos mais conservadores ou mais à direita não estavam presentes nas ruas desde 64. A partir dos anos 80, com a redemocratização do Brasil, quem vai pra rua é tradicionalmente à esquerda: movimentos sociais e partidos. Hoje, 50 anos depois, houve o retorno daqueles grupos propondo algo meio contraditório: em um espaço permitido pela democracia, pede-se a volta da ditadura. O regime militar não significa mais ordem e uma sociedade harmônica”.

Mas o Brasil não foi o único país a sofrer intervenção militar. Na América Latina, por exemplo, uma sucessão de regimes ditatoriais tomou conta de diversos países a partir dos anos 60. Longe de ser coincidência, os militares se instalaram no poder com a anuência dos Estados Unidos. O objetivo do governo norte-americano era frear o avanço do comunismo, já que o mundo presenciava o auge da Guerra Fria. Como em 1959 Fidel Castro liderou e implementou a Revolução Cubana, para a Casa Branca a ‘ameaça vermelha’ precisava ser tratada com rigor.

Qualquer modelo de ditadura, seja civil ou militar, é totalitário. Isso pressupõe a extinção dos partidos políticos e a concentração do poder nas mãos de um grupo ou pessoa. Por mais deficiente que seja o pluripartidarismo, ele dá às normas vigentes feições mais democráticas porque dificulta o autoritarismo. As ditaduras abolem essas possibilidades, além de ter como recursos de controle a perseguição, censura, tortura, prisão sem julgamento e a execução sumária. Nas últimas duas experiências brasileiras, com Getúlio Vargas nas décadas de 30 e 40 e com os militares, de 64 a 85, os artifícios da tirania – os quais o Estado tem por obrigação combater – foram implementados oficialmente.

Nello Augusto dos Santos Nocchi, cientista e professor de Direito, pontua o desconhecimento da história por parte de quem pede o retorno desse modo de organização política. “O pensamento é de que os militares tomarão o poder e convocarão eleições diretas. Quem conhece minimamente história vai se lembrar que Getúlio Vargas e Castelo Branco prometeram isso, e acabaram perpetuando os seus no poder [Maquiavel estava correto]. Além de atentar contra direitos básicos de todos, como não participação política, prisões unilaterais e imotivadas, creio que a ditadura seja mais perniciosa em dois aspectos: cria aparência de moralidade extrema ao não permitir investigação e fiscalização do exercício do poder; e deseduca politicamente as pessoas ao não permitir experiências políticas. Quem pede a volta da ditadura militar não tem ideia do que está pleiteando”.

Na reportagem de amanhã, a última da série, vamos trazer a evolução da democracia e como uma reforma política pode aprimorá-la. http://www.revistafapematciencia.org/noticias/noticia.asp?id=757

   
COMENTAR NOTÍCIA
VER COMENTÁRIOS
 
 
 
25/04/2018  - Saiba como preparar delicias com limão-cravo o mais popular do país
19/04/2018  - STF torna Aécio Neves réu por corrupção
16/04/2018  - Fiemt discute comércio exterior e acesso ao crédito com industriais
16/04/2018  - Circuito de Tecnologia apresenta novidades e opções de carreira na área de TI
01/09/2017  - Você tem o direito de errar
 
Untitled Document
 
DESTAQUES
Cáceres
21/06/2018
Aprovada a transposição do regime dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Controle de Endemia
 
 
MUNDO JURÍDICO
Captação Ilícita
20/06/2018
Captadores são presos em flagrante em Peixoto de Azevedo
 
 
DESTAQUES
Novo Endereço,
20/06/2018
MPF/MT inaugura nova sede em Sinop nesta quarta-feira
 
 
POLICIA
25,20%
19/06/2018
Homicídios, roubos e furtos diminuem em Mato Grosso
 
 
DESTAQUES
Decisões Erradas
18/06/2018
PNL permite aumentar a autoestima e motivação dos pacientes
 
 
SAÚDE
Cuiabá
15/06/2018
Entrega de USF reforça dignidade e segurança para as comunidades do Jardim Fortaleza e Santa Laura
 
 
CIDADES
Cuiabá
14/06/2018
Prefeito assina edital e Chamamento para implantação de novos pontos de ônibus
 
 
MUNDO JURÍDICO
Na Execução de Honorários
13/06/2018
Câmara aprova projeto que isenta profissionais da advocacia de pagamento de custas processuais
 
 
POLICIA
51% nos Indices
13/06/2018
Polícia Militar registra redução dos índices criminais na Fipe 2018
 
 
DESTAQUES
Mato Grosso
12/06/2018
Governo decreta ponto facultativo e altera expediente nos dias de jogos do Brasil na Copa
 
 
DESTAQUES
Rondonópolis
12/06/2018
Justiça determina indisponibilidade de bens de ex-gestores do IMPRO
 
 
EDUCAÇÃO
IFMT
07/06/2018
Abertas as inscrições de processo seletivo para contratação de professor substituto em Campo Novo do
 
rodape.jpg
A volta Por Cima do Limão Caipira  
Saiba como preparar delicias com limão-cravo o mais popular do país
 
No Alvo  
STF torna Aécio Neves réu por corrupção
 
Mato Grosso  
Circuito de Tecnologia apresenta novidades e opções de carreira na área de TI
 
Em Rondonópolis  
Fiemt discute comércio exterior e acesso ao crédito com industriais
 
Resultado  
Você tem o direito de errar
 
Primavera do Leste  
MPE notifica prefeito e vereadores para que não reduzam limite para aplicação de agrotóxicos
 
Semana Nacional  
Secretaria de Educação e Bibliotecas Comunitárias comemoram Folclore nas ruas de Cuiabá
 
Iprobidade  
MPE notifica Estado para que suspenda qualquer ato de gestão em nome do IPAS
 
Cuiabá  
Niuan Ribeiro, homenageia maçons por contribuição social
 
Casa Própria  
Governo entrega casas a 100 famílias em Jangada