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Sexta-feira - 25 de Maio de 2018
MEIO AMBIENTE - 03/05/2018 - 12:40
 
40% do Pantanal corre risco com devastação por pastagens e cultivos agrícolas e criação de barragens
 
   
   
 

 

WWF-Brasil alerta: 40% do planalto pantaneiro está em alto risco

 

               Só é possível conservar o Pantanal se a parte alta estiver preservada

 

O Estudo Índice de Risco Ecológico (IRE) lançado hoje pelo WWF-Brasil revela que 40% do planalto da bacia do Alto Paraguai está em alto risco. Entre as ameaças estão o intenso processo de conversão de áreas de vegetação do Cerrado por pastagens e cultivos agrícolas, a criação de barragens para geração de energia, uso ineficiente e degradação de áreas agrícolas e pastagens, impactos causados por áreas urbanas e falta de saneamento básico (menos de 15% do esgoto, em média, recebe tratamento e há um índice médio de perda de água nos sistemas de distribuição de 26%).

A região do planalto pantaneiro é importante porque é lá que se concentram as “torres de água”, ou seja, fontes de água que fazem do Pantanal uma área úmida.  Portanto, só é possível conservar a planície alagável do Pantanal se essas “fontes” ou “torres” de água forem preservadas. “Estamos enfrentando um cenário alarmante. Menos de 1% do planalto pantaneiro é protegido por Unidades de Conservação (UC’s) e 55% da área já foi desmatada. A conversão de vegetação do Cerrado na maioria das vezes não ocorreu segundo critérios de segurança ambiental, como a manutenção de vegetação ripária e reservas legais. Somente no estado de Mato Grosso, o déficit estimado de reserva legal é de 392 mil hectares”, afirma o coordenador do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil, Júlio César Sampaio.

O documento (acesse a íntegra do estudo clicando no painel ao lado) aponta ainda que a expansão econômica da agropecuária sem o devido planejamento ambiental trouxe impactos não apenas relacionados à perda da biodiversidade, mas também ao aumento da perda de solos, causando alterações no regime hídrico do Pantanal e em sua dinâmica de inundação. “A produção na região nem sempre obedece a melhores práticas. Em áreas de pecuária é frequente o sobrepastejo, causando a compactação dos solos e maiores taxas de escoamento superficial. É fundamental que sejam adotadas técnicas para manejo adequado do gado, evitando um número excessivo de animais por hectare e que sejam aplicadas técnicas para diminuição e controle de processos erosivos. Em áreas de cultivo agrícola, técnicas como terraceamento e plantio direto também devem ser expandidas, reduzindo o impacto do assoreamento nos ecossistemas aquáticos”, afirma Iván Bergier, pesquisador da Embrapa Pantanal.   

 

Hidroelétricas – ameaça

O IRE aponta que a instalação de hidroelétricas é uma grave ameaça à região do planalto da bacia do Alto Paraguai, onde estão projetadas aproximadamente 110 intervenções, entre Pequenas Centrais Hidroelétricas (PCH’s) e Centrais Geradoras. Quarenta desses empreendimentos já foram instalados, barrando aproximadamente 20 cursos d’água. “Se todas as usinas planejadas forem instaladas, mais de 45 afluentes do rio Paraguai terão suas vazões alteradas, causando impactos ainda desconhecidos ao sistema hidrológico e à migração reprodutiva de peixes, que saem da planície e nadam em direção às cabeceiras (piracema)”, explica José Sabino, pesquisador da Uniderp e coordenador do Projeto Peixes de Bonito.

Propostas de navegação industrial, como a hidrovia do rio Paraguai, também são ameaças identificadas. A intensificação de dragagens e desobstrução de barreiras naturais precisam ser mais bem compreendidas em um contexto integrado, com uma avaliação da sinergia dos impactos ambientais na bacia. “Tais avaliações devem considerar períodos críticos de funcionamento do Pantanal, particularmente períodos históricos de seca (previstos para serem intensificados e mais frequentes com mudanças climáticas). Além disso, precisamos entender bem como mudanças no fluxo e velocidade de água nos canais podem ter efeitos no pulso de inundação, gerando ameaças para a dinâmica social, econômica e ecológica do Pantanal”, diz Fábio Roque, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

 

O Índice de Risco Ecológico (IRE)

 

O IRE agrega a análise de riscos ao planejamento territorial, com foco na conservação dos recursos hídricos. Essa abordagem permite compreender a extensão e a intensidade das atividades humanas na paisagem e expressar os riscos de degradação hídrica e ambiental associados a essas atividades. Também permite delinear ações de manejo, conservação e recuperação de áreas de ecossistemas direcionadas à ameaça. O índice foi calculado pela primeira vez em 2012 e subsidiou importantes ações de conservação, como, por exemplo, o projeto Pacto Pelas Cabeceiras do Pantanal, que já garantiu a recuperação de mais de 80 nascentes de tributários do rio Paraguai. Para o desenvolvimento do estudo, participaram mais de 20 pesquisadores e técnicos atuantes na temática de recursos naturais na bacia do rio Paraguai, de todos os quatro países que compartilham a ecorregião.

Com informações WWF-Brasil

   
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