OPINIÃO

COVID e O Sétimo Selo

Por Suelme Fernandes

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Nessa pandemia de COVID 19 é Inevitável não lembrar das escatologias bíblicas e das profecias do fim do mundo.

Em todas as chamadas pragas ou castigo dos céus que a humanidade viveu, desde a Peste Negra, na idade média – Séc. XIV até hoje, o imaginário do ocidente, judaico cristão do juízo final vem sempre à tona nessas ocasiões.

As cenas de pessoas orando em torno dos hospitais de COVID, de corpos amontoados em Manaus viralizaram nas redes sociais trazendo nas memórias o ambiente de desespero e medo daqueles tempos antigos em que se achava que a doença era “castigo divino”, como muita gente ainda acha.

O pânico gerado pela incerteza sobre as formas de contágio e o tratamento da doença trouxeram uma penumbra parecida com a ocorrida na época medieval naquele mundo Teocentrico. Até o “negacionismo científico” dos tempos atuais são semelhantes com essa época.

O fato do COVID atacar de maneira letal e seletiva, especialmente, idosos, obesos e pessoas com comorbidades, como numa faxina étnica ou guerra virológica torna a pandemia mais tenebrosa ainda.

As mortes de COVID tem gerado prejuízos diversos em todas as áreas, apesar de não serem ainda claramente dimensionadas, citaremos alguns traumas causados, para além dos óbitos.

A morte de um ente no isolamento da UTI num hospital qualquer, sem direito sequer das visitas dos familiares e depois do velório para despedida final, tem causado um estrago no equilíbrio emocional das famílias em geral. Imagina então nos casos que o paciente não consegue nem internação.

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A ausência do ritual do sepultamento (urna funerária, choro, velório e sepultamento) que fecha um ciclo de vida acarretará muitas sequelas aos familiares dos mortos no pós-COVID. Há pessoas, por exemplo, que relutam em acreditar ou aceitar, inclusive, que seus entes morreram de fato.

Muitos parentes dos combatentes mortos na Primeira e Segunda Guerra mundial que não puderam assistir os funerais dos filhos e maridos mortos em campos de batalhas, tiveram inúmeras sequelas depois, chamados traumas de guerras. Assim como aconteceu com os ex-combatentes sobreviventes dessas Guerras que herdaram depois neuroses e psicoses permanentes.

Depois que passar essa pandemia, os governos, assim como nos EUA, precisarão de grandes programas sociais para tratar dos traumas dos pacientes que sobreviveram a pandemia e das famílias que perderam seus entes.

O pânico de contágio e da morte diante do risco das aglomerações, de contato com as pessoas e a solidão da reclusão voluntária nas casas, nesse um ano de pandemia, tem lotado as clínicas de saúde da familia, psiquiátricas e de psicólogos em busca de psicotrópicos, terapias e calmantes diversos.

Sendo assim, sem discutir os inevitáveis prejuízos na economia e mortes em si, creio que no Pós-Covid ocorrerá um aumento absurdo de doenças emocionais e transtornos mentais, além do impacto na estima geral do brasileiro.

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Em 1956, o cineasta Ingrid Bergman dirigiu o clássico filme O Sétimo selo. A trama é ambientada na Idade Média durante a Peste Negra.

A morte vem buscar um cavaleiro medieval que ao encontrá-la faz um desafio, uma aposta: Disputar sua vida com num jogo de xadrez. Cada peça do tabuleiro no filme remete a inúmeros cenários perigosos como numa dança macabra.

Um movimento mal dado poderia levar a morte do jogador. O diretor poeticamente sugere que a morte está nas nossas mãos, nas nossas escolhas.

A Bíblia anuncia que haveriam 7 selos no juízo final, no Apocalipse, mas revela apenas 4 selos são anunciados por anjos tocando trombetas.

Quais seriam os outros selos? Paira essa dúvida. Seríamos nós os responsáveis pelo nosso fim como insinua o filme e como acontece nessa pandemia?

Fica a reflexão que a Bíblia deixou diante de nosso dilema existencial e medo da morte:
“E olhei, e ouvi um anjo voar pelo meio do céu, dizendo com grande voz: Ai! Ai! Ai dos que moram na terra, por causa dos restantes sons de trombeta que os outros três anjos ainda têm que tocar!” Apocalipse 8:13.

Suelme Fernandes é Mestre em História pela UFMT. Siga no Instagram @suelmefernandes.

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OPINIÃO

Racionalização de medicamentos em tempo de pandemia

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*Ednaldo Anthony Jesus e Silva

Desde que promulgada pelo Decreto Federal nº 10.212, de 30 de janeiro de 2020, o Regulamento Sanitário Internacional na qual versa a Declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Internacional pela Organização Mundial de Saúde, criou-se uma busca incansável e inenarrável no meio científico em descobrir um medicamento efetivo no combate à doença COVID-19.

Dois anos de pandemia já se passaram e inúmeras incertezas pairam sobre qual seja a melhor condução terapêutica apropriada no manejo clínico do paciente com a Síndrome Aguda do Desconforto Respiratório. São tantas alternativas “off label”, aquelas em que o tratamento não está descrito em bula técnica do produto, que levantam uma série de questionamentos no tocante ao monitoramento do perfil farmacoterapêutico e farmacovigilância de possíveis eventos adversos a medicamentos.

Neste cenário pandêmico, na qual nos deparamos com um Sistema de Saúde colapsado aliado à escassez de abastecimento devido a alta demanda de consumo, o farmacêutico hospitalar e clínico tem papel importantíssimo junto a equipe multiprofissional no controle do uso racional e efetivo de medicamentos.

Ações constantes e periódicas de revisão de protocolos de sepse, pneumonia, infecção de trato urinário, analgesia e sedação são algumas das inúmeras tarefas que o colega farmacêutico poderá propor para cobertura digna e eficaz da assistência à saúde ao paciente do SUS.

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Recentemente, um alerta catastrófico acendeu as chamas no cenário mundial e brasileiro, na qual começam a faltar itens fundamentais para recuperação a saúde do paciente COVID-19 positivo tais como antibióticos, anticoagulantes, drogas vasoativas, analgésicos, sedativos e bloqueadores neuromusculares e tantos outros, fazendo com que muitas sociedades científicas orientem da melhor maneira a aplicabilidade dos protocolos hospitalares institucionais. Como exemplo, temos o destaque da inclusão de anestésicos inalatórios (Óxido Nitroso, Desflurano, Isoflurano, Sevoflurano) pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia devido a escassez dos agentes endovenosos pelo aumento do consumo para sedação em vigência da Covid-19, a Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) recomenda aos profissionais que deem preferência aos anestésicos inalatórios e às técnicas anestésicas associadas a agentes adjuvantes durante a realização dos procedimentos anestésicos.

O trabalho deste importante profissional da saúde vai muito além dos holofotes televisivos e manchetes nos noticiários e mídias sociais, desde a pesquisa de uma nova molécula química nas Indústrias farmacêuticas de um medicamento, alguns ensaios clínicos de imunobiológicos até a resolução de problemas no tocante a substituição da farmacoterapia instituída pelo prescritor que muitas vezes não se encontra disponível nos estoques dos hospitais públicos e privados do país.

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“Sem medicamento não há saúde, sem farmacêutico não há medicamento e sem saúde não há esperança para a população. Consulte e valorize o farmacêutico, pois ele é um profissional indispensável à saúde pública brasileira e mundial”.  

*Ednaldo Anthony Jesus e Silva é farmacêutico Hospitalar e Clínico e conselheiro regional do CRF-MT. 

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