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Coronavírus: o avanço da doença que já afeta 4 continentes

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Coronavírus: o avanço da doença que já afeta 4 continentes impactará a economia mundial?

O surto do vírus inevitavelmente acarreta consequências econômicas na China. Mas quão severas elas serão e quantos países também serão atingidos?


Coronavírus — Foto: Getty Images

A China está lutando contra um novo vírus que matou ao menos de 56 pessoas até este domingo (26/1). O surto do coronavírus é uma séria questão de saúde tão séria que a Organização Mundial de Saúde já declarou situação de emergência no país asiático — ainda que tenha descartado, por ora, uma situação crítica global.

Inevitavelmente, esse surto terá consequências econômicas. Mas quão severas elas serão e quantos países serão atingidos?

Economistas hesitam em falar em número nesse estágio inicial, em que já foram registrados 1.975 casos da doença em 13 países de quatro continentes (Ásia, Oceania, Europa e América, mais especificamente o subcontinente do Norte) — especialistas da área de saúde indicam uma provável subnotificação da doença, e que o número real pode passar de 6.000 casos.

Mas é possível identificar qual forma o impacto terá e observar os danos econômicos causados por episódios similares no passado, especialmente o caso da Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars) entre 2002 e 2003, que também começou na China.

Uma estimativa sugere que o custo do surto à época para a economia mundial foi de US$ 40 bilhões (R$ 167 bilhões).

Jennifer McKeown, da consultoria britânica Capital Economics, indica que o crescimento global foi um ponto percentual menor no segundo quadrimestre de 2003 do que teria sido sem a Sars. É um efeito bastante substancial, mas ela também diz que a recuperação foi rápida depois.

Segundo ele, o cenário é influenciado por outros fatores que afetaram o crescimento global naqueles anos, e que é “muito difícil separar qualquer dano de longo prazo ao PIB global gerado pelo Sars, que foi um vírus inusitadamente grave e que se espalhou muito.”

No surto atual, já é possível perceber alguns dos danos econômicos. Restrições para viagens foram adotadas para milhões de pessoas em uma época em que muitas pessoas viajam, o Ano Novo chinês. O impacto na indústria do turismo é claro, mas ainda não é mensurável.

Banimento de viagens e circulação de pessoas

O gasto de consumidores com entretenimento e presentes também será afetado. Muitas pessoas ficarão relutantes em participar de atividades fora de casa, ainda mais com aglomerações, que podem levar à exposição ao vírus. Muitas pessoas cancelam os planos por vontade própria para evitar risco de exposição à doença.

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O impacto foi aumentado na China pelo fato de Wuhan, a cidade onde o surto começou, ser um importante centro de transporte. Ali, onde vivem 11 milhões de pessoas, a circulação de carros foi amplamente proibida.

Restrições à viagens também são um problema para qualquer negócio que precisa mover bens ou pessoas. A cadeia de suplementos da indústria será afetada, já que parte das entregas será barrada e outra ficará mais cara.

Haverá perda de atividade econômica como consequência do fato das pessoas não poderem ou não estarem dispostas a viajar.

O governo central da China também decidiu suspender todas as excursões e vendas de pacotes de viagem e hotel para cidadãos chineses a partir de segunda-feira (27), além de interromper as viagens de ônibus entre províncias do país.

Segundo o mandatário chinês, Xi Jinping, a situação é grave e está acelerando.

Hong Kong, província semiautônoma da China, também declarou situação de emergência, e aulas nas escolas foram suspensas até meados de fevereiro. A maratona de Hong Kong, que ocorreria em 8 e 9 de fevereiro, também foi cancelada.

Impacto financeiro com o tratamento de pacientes

Também vai haver um custo financeiro com o tratamento dos doentes, que será pago por planos de saúde, pelo governo (onde há sistema público de saúde) e por pacientes.

Fora da China, muita coisa vai depender do quanto a doença vai se espalhar. Se os surtos forem grandes em outros países, os mesmos efeitos serão vistos.

O alcance desses efeitos dependerá do quão facilmente transmissível for o vírus e da taxa de mortalidade dos afetados. Felizmente muitas pessoas até agora se recuperaram totalmente, com trágicas exceções. Ainda é segundo, segundo os pesquisadores, para determinar qual letal é essa doença.

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A taxa de mortalidade da Sars chegava a 10%, por exemplo, e a da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers), matava 35% dos pacientes infectados.

É comum que problemas econômicos sejam refletidos rapidamente por mercados financeiros, porque a visão dos traders sobre quais ações são valiosas é afetada por suas expectativas sobre um desenvolvimento futuro.

Ganhos na indústria farmacêutica e de equipamentos médicos

Até o momento, o surto teve algumas consequências negativas em Bolsas de Valores, especialmente na China. Mas elas não foram muito graves — até o índice composto da Bolsa de Xangai está mais alto do que estava há seis meses.

Há alguns negócios que poderiam ter lucros, como farmacêuticas. O que está imediatamente disponível são remédios para alívio dos sintomas, como analgésicos e antitérmicos. E no longo prazo pode haver uma oportunidade mais lucrativa no desenvolvimento de uma vacina contra o vírus.

O diretor científico da Johnson & Johnson, Paul Stoffels, disse à BBC que suas equipes já fizeram um “trabalho básico” no desenvolvimento de uma vacina. Ele acredita que ela possa estar disponível em cerca de um ano.

Também houve aumento na demanda por máscaras cirúrgicas e luvas para proteção contra a infecção. Ações de empresas chinesas que fabricam esses itens — remédios e equipamentos protetores — tiveram um aumento abrupto dos preços.

Ainda que especialistas da área de saúde sejam céticos em relação à eficácia desse tipo de equipamento para evitar que uma pessoa contraia o vírus, por exemplo. Segundo eles, lavar as mãos com frequência é uma estratégia mais eficaz.

Casos de coronavírus pelo mundo — Foto: Arte/G1
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COVID-19

Boris Johnson defende a necessidade de intervencionismo econômico do Estado para recuperar a economia.

Reino Unido

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BORIS JOHNSON: “OS TEMPOS EXIGEM INTERVENCIONISMO

01 de julho de 2020 : 14h38

O primeiro ministro do Reino Unido, Boris Johnson, defendeu, em coletiva, a necessidade de intervencionismo econômico do Estado para recuperar a economia.

Johnson afirmou acreditar que “o governo tem que fazer o que é certo agora”, que, segundo ele, seria uma abordagem “intervencionista e ativista”.

A economia do Reino Unido foi atingida em peso pela pandemia, tendo encolhido 20.4% em abril – a maior queda mensal já registrada no país.

Entre março e maio, o número de trabalhadores assalariados no país caiu em mais de 600.000.

Os planos revelados pelo primeiro ministro foram descritos como uma “extraordinária intervenção governamental”.

O Governo investirá 5 bilhões de libras (cerca de 33 bilhões de reais) em “escolas, estradas, hospitais” e “outros projetos de infraestrutura”, o que Johnson definiu como uma intenção de “construir, construir e construir” o país “para fora da recessão induzida” pela pandemia de Covid-19.

O líder conservador se sentiu obrigado a pontuar que seus “instintos” são os de cortar taxas onde quer que seja possível, mas afirmou que o “desafio geracional” com que o Reino Unido se defronta precisa ser lidado com investimentos.

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“Soa como um ‘New Deal’, e tudo que posso dizer é que, se for, então assim deve soar e ser, porque é o que os tempos exigem”, explicou o primeiro ministro sobre os planos do Governo.

“Meus amigos, não sou um comunista”, lembrou. “Acredito que é dever do Governo o de criar condições para o livre mercado”.

“Sim, é claro que aplaudimos nosso NHS (o “SUS” britânico), mas sob este governo aplaudimos também aqueles que fazem o NHS ser possível: nossos inovadores, nossos criadores afortunados, nossos capitalistas e financistas, porque no fim é sua vontade de correr riscos com seu próprio dinheiro que será crucial para nosso sucesso futuro”, continuou Johnson.

Sobre novos aumentos dos casos de coronavírus na cidade inglesa de Leicester, ele afirmou que o Governo está “preocupado”.

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