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Concurso que premia escritores e artistas visuais de Mato Grosso está com inscrições abertas

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Edital já está disponível no link “Dixtopia” do portal Cidad(ã)o Cultura

JB News

Por Lidiane Barros

Foto : Ahmad Jarrah

Com as adversidades impostas pela pandemia, o mundo teve que desacelerar e palavras como o silêncio, tempo e distância marcaram discursos. Sincronicamente, as transformações culturais e mudanças de comportamento eram acompanhadas das janelas virtuais.

Uma reflexão sobre este cenário é proposta de um concurso que motiva criações literárias e de artes visuais, sob a perspectiva do futuro. O edital com informações sobre o concurso que vai premiar 12 artistas com R$ 1 mil cada, já está disponível no portal Cidadã(o) Cultura (cidadaocultura.com.br), no link “Dixtopia”, nome do projeto que recebe incentivo da Lei Aldir Blanc.

Uma das idealizadoras do concurso, a jornalista e produtora cultural Marianna Marimon explica que o enquadramento temático “futuros distópicos”, é o princípio norteador das obras que serão submetidas à análise de uma banca de especialistas em literatura e artes visuais.

“Serão escolhidos seis projetos de cada linguagem. A ideia é estimular os artistas a imaginar outros mundos possíveis, a retratar transformações do seu cotidiano em um cenário de pandemia. Muita gente canalizou suas emoções na arte. A ideia é que tirem projetos da gaveta. Mas é claro, como as inscrições ocorrem no período de um mês, há tempo hábil também para desenvolver novas obras com essa vertente”.

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O secretário de Estado de Cultura, Esportes e Lazer (Secel-MT), Beto Machado ressalta a relevância do projeto, por ampliar a oportunidade a mais artistas mato-grossenses.

 “O Dixtopia viabiliza a produção cultural de uma equipe que pensou em promover a inclusão de mais artistas no processo, ao tempo em que projeta novos nomes da literatura e das artes visuais sob o viés de uma linguagem inovadora”, observa.

As inscrições para o concurso “Dixtopia” são gratuitas e seguem até o dia 18 de fevereiro. As obras e documentos que garantem a participação no edital deverão ser enviados para o e-mail concursodixtopia@gmail.com com o assunto “habilitação do candidato”.  O resultado será divulgado no site do Cidadão Cultura e nas redes sociais no dia 1º de março.

Revista digital e impressa

O projeto “Dixtopia” contempla ainda, leitores mato-grossenses ávidos pela linguagem experimental que reflete sobre temas do futuro, especialmente em um período marcado pelo salto tecnológico.

Os artistas interessados podem participar com contos, micro contos, poesias, ilustrações, poemas visuais, desenhos, colagens e fotografias. Os premiados terão suas obras divulgadas em uma revista nas versões impressa e digital.

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Marianna ressalta que a disponibilização do conteúdo em plataforma digital amplifica o alcance da arte mato-grossense.

“A revista de arte servirá não só como portfólio dos artistas, como também, cumprirá com a função de um mural da produção artística mato-grossense, acessível a entusiastas da literatura e das artes visuais do mundo todo, além de registrar as impressões sobre um tempo que é divisor de águas”.

Será lançada até o final de abril de 2021 e além de disponibilizada para download gratuito, chegará a instituições públicas de ensino em formato impresso.

O projeto “Dixtopia” é realizado com recursos do edital da Lei Aldir Blanc – viabilizado pelo Governo de Mato Grosso via Secretaria de Esportes, Cultura e Lazer, em parceria com o Governo Federal, via Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo.

Serviço

Dixtopia

Concurso literário e de artes visuais

Inscrições de 18 de janeiro a 18 de fevereiro

Resultado será divulgado no dia 1º de março

 

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CULTURA

O cavalinho Xomano e o cuiabanês

Por Suelme Fernandes

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O mascote oficial do time Cuiabá E. C. é um peixe dourado apelidado de douradão, no seu emblema tem o marco do centro geodésico da América do Sul, que fica em frente a Câmara Municipal, na praça Pascoal Moreira Cabral (fundador de Cuiabá) e a cor da camisa do time é verde, como a cor da bandeira de Cuiabá.

Só faltava falar. Pra supresa dos cuiabanos o cavalinho do Cuiabá E.C. que aparece aos domingos no programa Fantástico tinha sotaque de caipira mineiro. Isso gerou uma grande revolta na cidade.

A resposta nas redes sociais foi imediata. Tantos ataques que o próprio Tadeu Schimdt teve que corrigir a falha grosseira da produção através de um vídeo na internet que viralizou. Nesse domingo passado, enfim o boneco batizado de Xomano apareceu falando com sotaque cuiabano. Cuiabanos e não cuiabanos vibraram com essa aparição.

A antropologia considera a língua de um povo, uma das suas principais marcas identitárias. Lenine Póvoas chamou essa identidade local, incluindo a língua de cuiabanidade.

Com a onda migratória dos anos 70/80 e do uso em escala de aparelhos de TVs e das novelas, o falar cuiabano passou por um de preconceito linguístico enorme. Inclusive nas escolas. Logo criou-se a oposição: nativos e estrangeiros, cuiabanos de pé ratchado e os pau rodados.

Afora, as controvérsias e críticas ao deboche exagerado no falar cuiabano, Liu Arruda nos anos 80 e sua icônica Comadre Nhara e Djuca representou uma resistência cultural da língua local aos chegantes através de seus causos e piadas de sátira a cariocas e gaúchos. Manifestações de personagens e humor que continuam nos dias atuais, com Comadre Pitú, Nico&Lau, Xô Dito, Totó Bodega e Almerinda. Sem contar o movimento musical do rasqueado que também participou dessa afirmação cultural e que renderia outro texto.

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Mas esse preconceito era coisa antiga.
Em 1921, o primeiro pesquisador que tentou entender esse dialeto foi o professor de Português da Escola Sen. Azeredo, Flanklin Cassiano da Silva que publicou o livro “Subsídios para o estudo da Dialectologia de Mato Grosso”.

O autor buscou as raizes linguísticas desse sotaque em determinadas regiões de Portugal como Minho e Tras os Montes. Sua iniciativa já era uma busca de valorização e aceitação desse dialeto e de luta contra o preconceito da época.

A partir daí vieram outros divulgadores desse linguajar, nos anos 70/80. Em 1978, Maria Francelina Ibrahim Drummond publicou o livro “Do Falar Cuiabano”. Nos anos 80/90 Moisés Martins, Wilian Gomes e Antônio Arruda publicaram dicionários com verbetes e expressões nativas.
Na mesma linha, em 2008, Pedro Rocha Jucá com o livro “Da Linguagem Cuiabana”.

Em comum, todos defenderam que o sotaque cuiabano é herança dos portugueses e/ou dos bandeirantes.

Em 2005 a UFMT, Instituto de Linguagem publicou “Vozes Cuiabanas: estudos linguísticos em Mato Grosso” organizado por Manoel Mourivaldo S. Almeida e Maria Inês Plagliarini Cox. Em 2014, a professora Cristina dos Santos lançou “Do Falar Cuiabano”.

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Nessas análises acadêmicas sobre esse “djeito de falar” definiram fonética e morfologicamente essa variação linguística, e não a língua em si, como sendo herança cultural dos povos indígenas, em especial dos Bororos e também dos africanos escravizados. Esses grupos representaram 65% da população no período colonial da Vila Real de Cuiabá .

Para o linguista Marcos Bagno que publicou vários livros sobre o tema, não existe português certo ou errado, porque a língua se renova exatamente pelas suas variações.

Os índios Bakairi na década de 1960/70 foram proibidos pela FUNAI de falar sua língua materna na aldeia. Passaram então a falar sua língua escondidos na mata. Por isso, atualmente falam sua língua nativa fluentemente.

Por analogia, diante da polêmica dos cavalinhos e da ida do Cuiabá E.C. para série A, percebi que o falar cuiabano que parecia morto,está vivíssimo.

A vitória do time que traz toda a simbologia da cidade reavivou o sentimento e a estima de cuiabanidade. E o antigo hábito de falar cuiabanês que sobrevivia restrito ao ambiente doméstico “no casa do mamãe ou do Titia” está voltando para as ruas, impulsionado pelas redes sociais com personagens como Xomano que mora ali, Xomano do Saber, Kbça Pensante entre outros.

O falar cuiabano não tinha morrido, ele só estava escondido! Língua não morre, ela evolui, quem morre são os falantes!

Suelme Fernandes, Historiador e Analista Político siga no Instagram @suelmefernandes.

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