CULTURA

Cia. dos Atores lança canal no YouTube em setembro

Publicados

em

 

Peças “Melodrama”, “O Rei da Vela”, “Ensaio.Hamlet” e “Devassa”, além do projeto inédito “Kabaré online”

abrem oficialmente a programação na plataforma

 

Há 25 anos, a Cia. do Atores estreava “Melodrama” no CCBB – Rio de Janeiro. Investigando o estilo melodramático a partir de uma visão contemporânea, a companhia apresentou a premiada montagem em diversas cidades do Brasil, além de ter participado de festivais internacionais na América Latina, América do Norte e Europa. A partir de 11 de setembro, o público poderá ver esta e outras peças na íntegra no novo canal do grupo no YouTube (youtube.com/ciadosatores). Como parte do lançamento oficial do canal, além de “Melodrama” (com elenco original), estão programadas as produções “O Rei da Vela”, “Ensaio. Hamlet” e “Devassa”, além do projeto inédito “Kabaré online” – dirigido por Cesar Augusto e Marcelo Olinto, fruto de uma residência artística da Sede da Cias., coordenada pelos dois e também por Marcelo Valle. Todo o conteúdo será disponibilizado com acesso livre e gratuito.

Inspirado na obra do alemão Karl Valentin (1882 – 1948), comediante, artista de cabaré, autor e produtor de filmes, o “Kabaré online” é uma criação coletiva dos artistas residentes da Sede da Cias. O grupo, formado por 25 jovens artistas do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Pará, teve apenas um encontro presencial no início de março, na Sede da Cias., no bairro da Lapa, Rio de Janeiro, mas logo depois veio a quarentena imposta pela pandemia do novo coronavírus. A partir daí, todos os encontros foram online. O resultado da residência será lançado no canal da companhia em quatro episódios, sempre às segundas-feiras, a partir de 14 de setembro.

“Nós nos organizamos em torno dessa plataforma virtual por conta da pandemia. A ideia original era apresentar os trabalhos em dezembro, na Sede, mas a quarentena mudou os planos. Foi tudo gravado, cada um filmou em sua própria casa. Foi uma adaptação da realidade que estamos vivendo. O Kabaré é fruto disso”, conta Marcelo Olinto.

Híbrido de linguagens, o “Kabaré online” reúne fotografias, vídeos, manipulação de imagens, cenas literais e adaptadas da obra de Karl Valentin, compondo uma dramaturgia criada pelos próprios residentes. Cada episódio traz uma investigação documental, uma trama de palavras e imagens, sem perder o aspecto explosivo próprio de um cabaré. “É um caleidoscópio de cenas. Nós investigamos e nos apropriamos da obra de Karl Valentin. Eu e Olinto atuamos como provocadores, damos o material teórico e incitamos a prática para descobrirmos os interesses e peculiaridades de cada residente, o que deu origem a uma enorme diversidade de materiais”, explica Cesar Augusto.

Durante o processo artístico, eles perceberam que a figura de Liesl Karlstadt, parceira de Karl Valentin, também ela artista de cabaré, era tão importante quanto a dele, mas a história foi conduzida pela mão de um homem. Como forma de jogar luz sobre essa importante atriz, o terceiro episódio é todo dedicado a ela, colocando em pauta também questões contemporâneas e urgentes.

“A ideia é entreter sem deixar de colocar o dedo na ferida. Estamos, por exemplo, fazendo comparações entre a Alemanha de 1930 e o Brasil da atualidade. Há uma similaridade assustadora entre a época da ascensão do nacional-socialismo alemão e os dias de hoje, com o crescimento da extrema direita no país e no mundo”, ressalta Olinto.

Leia Também:  Dos antepassados aos dias atuais: Livro contará história de Vera Capilé 

Além do “Kabaré online”, o canal vai receber espetáculos do repertório da Cia. das Atores. Para o lançamento, o grupo escolheu quatro peças: “Melodrama” (1995), “O Rei da Vela” (2000), “Ensaio.Hamlet” (2004) e “Devassa” (2010). No dia do lançamento de cada espetáculo, será disponibilizado no canal o bate-papo “Conversa com a Cia.” com os integrantes da companhia e artistas que participaram da criação das obras.

A disponibilização das peças “Melodrama” e “Ensaio.Hamlet” no canal da Cia. tem o apoio institucional do Programa “Cultura Presente nas Redes”, realizado pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro — SECEC RJ.

AS PEÇAS

“Melodrama” (1995)

O espetáculo é composto por três tramas que se completam e se fundem num surpreendente final. A passionalidade latina unida a uma visão contemporânea do estilo melodramático, com ênfase nos exageros típicos do gênero. Sempre com muito humor e números musicais. Assassinatos, incestos, dupla personalidade, perdas de memória e mocinhas abnegadas são embalados aqui por tangos e boleros. Texto: Filipe Miguez. Direção Geral: Enrique Diaz. Elenco: Bel Garcia, Cesar Augusto, Drica Moraes, Gustavo Gasparani, Marcelo Olinto, Marcelo Valle e Susana Ribeiro. Cenografia: Fernando Mello da Costa. Figurino: Marcelo Olinto. Iluminação: Maneco Quinderé. Direção Musical e Música Original: Carlos Cardoso. Preparação Corporal: Lucia Aratanha. Coreografias: Jayme Arôxa. Caracterização: Renato Castelo. Adereços: Othon Spenner. Direção de Cena: Márcia Machado. Direção de Produção: Cláudia Marques. Realização: Cia. dos Atores.

“O Rei da Vela” (2000)

Peça em três atos escrita por Oswald de Andrade em 1933. A história gira em torno de Abelardo I, um agiota muito bem-sucedido e também oportuno fabricante de velas em um país à beira da falência. Em torno dele, gravitam vários personagens bem pitorescos, como Abelardo II, seu natural sucessor, e Heloísa de Lesbos, sua noiva, a jovem de uma família arruinada pela crise do café. O casamento dos dois simboliza a união de duas classes sociais: a burguesia em ascensão e a aristocracia rural falida. Texto: Oswald de Andrade. Adaptação: Cia. dos Atores. Direção: Enrique Diaz. Codireção: Emílio de Mello. Elenco: Cesar Augusto, Drica Moraes, Gustavo Gasparani, Malu Galli, Marcelo Olinto e Marcelo Valle. Elenco de Apoio: André Schmidt, Guilherme Miranda e Leonardo Miranda. Adaptação e Apoio Teórico: Elena Suarez. Cenografia: Gabriel Vilella. Figurino: Marcelo Olinto. Iluminação: Maneco Quinderé. Direção Musical: Marcelo Neves. Pesquisa Musical: Claudio Olivotto. Preparação Corporal: Joyce Niskier. Coreografia: Gustavo Gasparani e Joyce Niskier. Visagismo: Rose Verçosa. Direção de Cena: Márcia Machado. Produção Executiva: Leticia Jacques. Direção de Produção: Marcelo Valle. Realização: Cia. dos Atores.

 

“Ensaio.Hamlet” (2004)

A Cia. dos Atores se debruçou sobre as questões de Shakespeare no clássico “Hamlet”, para criar uma série de perguntas e experiências que são propostas e vividas pelos intérpretes. Neste ensaio sobre a peça, a Cia. convida o espectador a participar desta “autópsia” – tanto dos personagens como dos próprios atores em cena. As palavras de Hamlet servem para se falar sobre a constituição da identidade, a descoberta da aparência e do papel da arte de colocar o indivíduo frente a frente com suas questões existenciais. O resultado é um jogo que se apresenta sempre vivo, ágil e bem-humorado. Texto Original: William Shakespeare. Tradução: Millôr Fernandes. Direção: Enrique Diaz. Elenco: Bel Garcia, Cesar Augusto, Felipe Rocha, Fernando Eiras, Malu Galli e Marcelo Olinto. Diretora Assistente: Mariana Lima. Cenografia: Marcos Chave e Cesar Augusto. Figurinos: Marcelo Olinto. Iluminação: Maneco Quinderé. Trilha Sonora e Músicas Originais: Lucas Macier, Rodrigo Marçal e Felipe Rocha. Direção de Movimento: Andréa Jabor. Preparação Corporal: Cristina Moura. Direção de Cena: Márcia Machado. Coprodução: Ferme de Buisson. ScèneNationale de Marne-La-Vallé e La Filature, ScèneNationale, Mulhouse. Produção: A.R. Produções. Realização: Cia. dos Atores.

Leia Também:  Governo consegue prorrogação do prazo para prestação de contas dos recursos da Lei Aldir Blanc

“Devassa” (2010)

A Cia. dos Atores acredita no diálogo entre obras escritas para teatro, independentemente da época, como “A Caixa de Pandora”, de Frank Wedekind, uma das obras-chave do expressionismo alemão escrita entre 1892 e 1894. A diretora alemã Nehle Franke foi convidada pelo grupo para dirigir a montagem. É uma abordagem corajosa e arrojada para a história de Lulu, onde a crueldade da fêmea encontra uma mais devastadora e letal a crueldade do macho, terminando morta por Jack, o Estripador. Texto: Frank Wedekind. Direção e Tradução: Nehle Franke. Elenco: Alexandre Akerman, Bel Garcia, Cesar Augusto, Marcelo Olinto, Marina Vianna e Pedro Brício. Cenografia: Aurora dos Campos. Figurino: Marcelo Olinto. Iluminação: Maneco Quinderé. Direção Musical: Rodrigo Marçal. Preparação Corporal: Dani Lima. Direção de Cena: Márcia Machado. Direção de Produção: Rossine de Freitas. Realização: Cia. dos Atores.

A CIA. DOS ATORES

Formada pelos atores Cesar Augusto, Gustavo Gasparani, Marcelo Olinto, Marcelo Valle, Susana Ribeiro e Bel Garcia (in memorian), a Cia. dos Atores comemora 32 anos de atividade ininterrupta em 2020, se tornando um dos grupos de maior tempo de trabalho no Rio de Janeiro. Já recebeu os principais prêmios do teatro brasileiro. Seu repertório inclui mais de uma dezena de espetáculos, entre eles, “Melodrama”, “A Morta”, “O Rei da Vela”, “A Bao A Qu (Um Lance de Dados)” e “Conselho de Classe”, primeira parceria com Jô Bilac. Em 2018, estrearam “Insetos”, espetáculo que marcou os 30 anos de criação da companhia.

Mantendo sempre o mesmo núcleo de atores, esse grupo carioca, além de ter representado em festivais nacionais e internacionais, foi responsável pela direção artística de dois teatros da rede municipal da prefeitura do Rio de Janeiro: Teatro Ziembinski e Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto. A sede da Cia. dos Atores, nomeada Sede das Cias., localizada na escadaria do Selarón, na Lapa, foi inaugurada em 2006. De lá para cá, a companhia já promoveu ali uma série de atividades: ensaios, treinamentos, mostras de dramaturgia contemporânea, apresentações, oficinas gratuitas e parcerias institucionais.

 

PROGRAMAÇÃO

Canal da Cia. dos AtoresYouTube.com/ciadosatores

Espetáculos + Conversa com a Cia. dos Atores

Sextas, a partir das 19h

11/9 – Lançamento de “Melodrama” + bate-papo sobre o espetáculo
18/9 – Lançamento de “O Rei da Vela” + bate-papo sobre o espetáculo

25/9 – Lançamento de “Ensaio.Hamlet” + bate-papo sobre o espetáculo

2/10 – Lançamento de “Devassa” + bate-papo sobre o espetáculo

Kabaré online

Segundas, às 19h

14/9 – “Um palhaço em meio ao caos”

21/9 – “K. Valentin – Um panorama visto de dentro”

28/9 – “Sincronicidades dos opostos”

5/10 – “Los degenerados”

 

 

COMENTE ABAIXO:

CULTURA

Dos antepassados aos dias atuais: Livro contará história de Vera Capilé 

Publicados

em

Por

Em seus encontros com Vera Capilé, o historiador Luiz Gustavo Lima tem aplicado a metodologia da Tecnologia Social da Memória para realizar pesquisa

Com base nas diretrizes da Tecnologia Social da Memória, metodologia de pesquisa e registro utilizada pelo Museu da Pessoa (SP), o historiador Luiz Gustavo Lima realiza imersão pelas memórias da artista Vera Capilé. O resultado poderá ser conferido em breve, em livro proposto em projeto documental que a homenageia e que foi selecionado no edital Mestres da Cultura.

Luiz Gustavo tem se encontrado regularmente com Vera e também, participou como ouvinte das gravações do documentário. Este, dirigido por Juliana Capilé. Um terceiro produto é uma coletânea com clássicos da carreira de Vera.

“Nesse processo, começamos pelos antepassados dela. Nossa sorte foi que o pai de Vera, seo Sinjão Capilé, e o irmão Júlio, escreveram um livro que conta a saga da família, desde a saída dos Capilé, do interior de São Paulo até chegar em Dourados, Mato Grosso do Sul, quando com Mato Grosso, formava um único Estado. Isso foi lá pelo final do século 19”.

Leia Também:  Um problema que afeta as mulheres

Então, o registro ancestral é bem fiel. “Sinjão, por exemplo, nasceu na década de 1920 já em Dourados. Então, ela tem esse conhecimento dos primórdios da família, desde Mato Grosso do Sul até a transição para Cuiabá quando bem cedo, ela já começa seu precoce envolvimento com as artes, sempre com o canto, com o teatro”, conta Luiz Gustavo.

O livro segue contando a história de Vera até os dias atuais. As conversas que levavam em média duas horas, foram se desdobrando ao longo de quatro encontros.

Segundo o historiador, dentre os pontos mais marcantes dos relatos de Vera, está a presença muito marcante do pai em sua vida. “Ela esteve sempre muito conectada a ele. Uma figura muito expressiva, um grande orador, político e ainda, um homem das artes, seresteiro, gostava de cantar e tocar violão. Então, há essa facilidade na comunicação, uma das grandes heranças dele para Vera”.

A sensibilidade artística de Vera é tão presente em sua vida que alcança até mesmo a carreira que construiu na Psicologia. “Vera é especializada em psicogerontologia, ciência que se dedica aos cuidados dos idosos e ela se orgulha muito disso e faz com arte”.

Leia Também:  Exposição de geração em geração será realizada no São Gonçalo Beira Rio

Luiz Gustavo conta que ao ouvir Vera, se emocionava constantemente. “Vê-la construindo a narrativa foi emocionante. Ela carrega uma força descomunal. Tem uma dinâmica da pessoa que entende o valor de sua história. Ao falar e ao seu ouvir, ela vai de certa forma se empoderando ainda mais”.

Para arrematar a coleta de dados, o historiador considera que acompanhar as gravações do documentário foi fundamental. “Ouvi depoimentos de amigos muito próximos, como Ivens Scaff, Jaime Okamura, Vitória Basaia, Glória Albues, Lúcia Palma e o companheiro Waldir Bertúlio, além de amigas de infância e as irmãs que convivem muito perto dela. Os relatos acrescentaram dados complementares”.

O projeto proposto pela produtora cultural Tatiana Horevicht, foi contemplado pelo edital Mestres da Cultura, idealizado pelo Governo de Mato Grosso via Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), em parceria com o Governo Federal via Secretaria Nacional de Cultura do Ministério do Turismo.

  Por Lidiane Barros

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

VÁRZEA GRANDE

POLÍTICA

POLICIAL

MAIS LIDAS DA SEMANA