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Artistas mato-grossenses realizam oito horas de live neste sábado

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_Oito anfitriões irão conduzir esta festa, onde cada um deles terá uma hora de live no seu Instagram_

Por Beatriz Saturnino – Da Assessoria

Neste sábado (27.06), o distanciamento social causado pela pandemia do novo Coronavírus (Covid-19) será apenas de corpo presente, pois oito artistas mato-grossenses resolveram se unir para fazer um “Arraiá do Mato”, daqueles “bão” demais, com oito horas seguidas de live. A intensão é juntar amigos e familiares, em uma grande festa pela rede social, para dar um pouco de alegria e aconchego, com o melhor do entretenimento via Instagram, começando com Ryancarlos de Oliveira, às 15h, seguindo com Pescuma, Totó Bodega, Karola Nunes, Thyago Mourão, Henrique Maluf, André D`Lucca e encerra com a cantora Ana Rafaela, a partir das 22h.

“Não teremos fogueiras, balões, fogos de artifício, danças e comidas típicas, mas esperamos criar uma atmosfera de muita alegria, descontração e paz. E lembre-se, se puder #fiqueemcasa”, convida o cantor e compositor, Henrique Maluf, que estará a caráter, de caipira, para tocar músicas do imaginário popular das festas juninas.

De uma voz imponente e marcante, principalmente para o black music, pop e samba rock, Henrique Maluf entrará em cena ás 20h, onde receberá como convidados especiais Lorena Ly, André Coruja e Annelibras, para interpretar em libras duas canções.

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Em uma ordem cronológica, o Arraiá do Mato começa às 15h, com o ator cuiabano Ryancarlos de Oliveira (ryancarlosator), de 14 anos, protagonista na série Bugados, do canal Gloob, com o personagem Neo, em uma live divertida, envolvendo música e convidados.

Na sequencia, às 16h, o público entra no clima de sucessos do rasqueado cuiabano, com o cantor, compositor e jornalista, Pescuma (@pescumamoraisoficial).

Às 17h, o público vai prosear com Totó Bodega, o galã cuiabano, personagem do ator Romeu Benedicto (@totobogeda7). “A Live é sua! Se caracterize, entre e mande correio elegante, para quem quiser. E vai ver como se pega um porco. Teremos como convidados Caixa de Brinquedos, Domingão e o cantor e Roberto Lucialdo”, conta Romeu.

Em seguida, como uma boa filha de paraibano, Karola Nunes (@karola_nunes) traz pra sua live, às 18h, as canções que ouvia na infância. Vai ter xote, baião, autorais e convidados especiais: os cantores Thales de Paiva, Juliane Grisólia e Laura Pascoalick.

Seguindo o bailão vem “Xô Dito”, com o ator Thyago Mourão. Esse pantaneiro que já mora no coração dos mato-grossenses traz em sua live aquela prosa boa, com muita música, humor e interação. Seus convidados serão, como sempre, imprevisíveis, pois Xô Dito recebe no bate papo as pessoas que o assistem. “A interação com seu público deixa tudo muito divertido e interessante. Imperdível”, convida o artista.

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Após muita música, com os anfitriões Karola Nunes, seguido de Henrique Maluf, já citado, às 20h, é a vez do ator André D`Lucca (@atorandredlucca), às 21h. Um artista multifacetado, que é sucesso de público nas redes sociais e nos palcos, com seus personagens, especialmente com a rica Almerinda George Lowsbi. Em sua hora, D`Lucca vai chamar seis convidados.

E para fechar de forma especial, com mais música boa, a cantora Ana Rafaela (@anarafaelaoficial), entra às 22h, com sua bela voz, mais caipira do que nunca, neste Arraiá do Mato, cantando xote, forró e atendendo aos pedidos, com o correio elegante. “E vai rolar declaração de amor ao vivo! É a oportunidade de se declarar pro crush sem se revelar. Ah e tem convidado especial e algumas surpresas! Cê não vai perder, né?”, convida.

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Curiosidade

40 anos sem Vinícius: saiba mais sobre o Poetinha que cantou a saudade

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Apresentação nesta quinta terá artistas como Gilberto Gil e Toquinho

Publicado em 09/07/2020 – 10:01 Por Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Se estiver com saudades, pode abrir os ouvidos e inspirar os olhos. Os versos estão enfileirados na memória, nos arquivos, no coração de um país, no alento, na esperança de um gigante que respondia pelo apelido em diminutivo, um Poetinha. Brasileiros que estão hoje longe da família, de amores da vida, de amigos, podem encontrar também a beleza de cada segundo e do viver ao (re)visitar a obra eternizada do gênio Vinícius de Moraes, que morreu há exatos 40 anos, no dia 9 de julho de 1980, aos 66 anos de idade. 

O artista que dizia que a “distância não existe” rogava que não queria “mais esse negócio de você longe de mim”. “E por falar em saudades, onde anda você?”. Celebrado na academia, nas aulas de literatura, nas rodas de amigos, nas emissoras de rádio, nos bares, no café da manhã e na boemia, Vinícius é esperança erudita em bom popular: “dentro dos meus braços/os abraços hão de ser milhões de abraços”. Profano e sagrado, tudo junto e misturado: “diz-lhe numa prece, que ela regresse porque não posso mais sofrer”. Poetinha está vivíssimo, garantem os estudiosos e todos os apaixonados. Aliás, nesta quinta, um grupo de artistas fará uma apresentação em live para celebrar a memória do autor, dos encontros e das saudades.

A produtora cultural Gilda Matoso, de 68 anos, viúva de Vinícius de Moraes, organiza o evento, que começa às 19h, no canal dela no Youtube, contará com nomes como Toquinho, Gilberto Gil, Maria Creuza e Mariana de Moraes, Cynara (Quarteto em Si), e os poetas Marcel Powell, Antonio Cícero, Geraldo Carneiro e o ator Aloísio de Abreu. Cada artista vai escolher algo para cantar e conversar sobre ele. “Eu fico abismada. Tanta gente que não era nem nascida na época é muito fã dele. É uma obra eterna. A obra é verdadeira, rebuscada e ao mesmo tempo tão popular”, disse. Gilda Mattoso admira toda a obra do artista, mas destaca uma canção em especial que também celebra a saudade: “Marcha de Quarta-feira de Cinzas”. A música deve ser interpretada na apresentação desta quinta, pela cantora Maria Creuza.

Vinícius de Moraes, conhecido pelas canções de amor, é um cânone da literatura brasileira
Vinícius de Moraes é considerado um autor singular pelo mistura do erudito e popular. Foto cedida por @vmcultural/Direitos Reservados

Obra amorosa

A neta do poeta, Mariana de Moraes, 50 anos, afirma que o exemplo de ética, e o olhar amoroso de Vinícius (que morreu quando ela tinha 11) são fundamentais para a vida e para a obra que ela também construiu. “Por mais triste que seja o assunto que ele trata, Vinícius consegue enxergar aspectos positivos. Ele exercia a compaixão, a caridade e a poesia”. A artista compara a música e os versos a uma forma de rezar. “Vinícius sensibilizava. É importante consumir a obra dele porque trazem esperança e alento, mesmo quando a temática é triste”.

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Mariana de Moraes diz que esse é um momento para estar com Vinícius. “Ele diz que o amor vai prevalecer. Ele produziu uma forma amorosa”. Ela cita a poesia/canção Eu não existo sem você como um exemplo desse olhar lírico: “Eu sei e você sabe que a distância não existe. Que todo amor só é bem grande se for triste. Por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer. Pois todos os caminhos me encaminham pra você”.

Ouça abaixo trecho da entrevista da cantora.

Vinícius escreveu sobre as coisas do coração e foi equilibrado, analisa a neta. “Ele uniu pensamento, coração e ação. Ele era um homem que ajudou muito gente, muitos artistas. Ele agiu como homem e transformou sentimentos em palavras”, admira-se. Por isso, para ela, a obra de Vinícius é tão inspiradora para diferentes públicos. “É importante pensar coisas belas”. Ela recorda que o avô chamava, com carinho, as pessoas pelo diminutivo. E surgiu o apelido do Poetinha.

Mas ela contextualiza que o autor chegou a ser boicotado por trazer conteúdo também popular. “A poesia dele conseguiu furar o bloqueio e ele é reconhecido como um grande poeta a par de ser também compositor. A obra dele resiste forte e voltou a ser estudada nas universidades”. Mariana de Moraes lamenta que as novas gerações são também bombardeadas de materiais sem qualidade, tanto na música quanto na poesia. E, por isso, ela defende que os jovens devem ser apresentados cada vez mais aos grandes autores.

Mariana recorda que decidiu cantar desde criança sob inspiração de João Gilberto. “Eu conheci a obra de Vinícius pelo o que eu ouvia do João. E passei, com o tempo, a ser convidada para eventos a celebrar a memória dele. E me apropriei do que ele produziu. Eu reverencio muito a obra do meu avô”.

Permanência em diferentes cenários

Estudioso da obra de Vinícius de Moraes, o professor Eucanaã Ferraz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entende que o poeta é completo e único em função da trajetória também popular. “Vinícius é um personagem presente no dia a dia de muitas faixas etárias e classes sociais. Foi um poeta que fez obras para crianças (como o álbum Arca de Noé), o que faz com que o interesse por ele passe de geração para geração”. O pesquisador destaca o pensamento sofisticado de Vinícius mesmo em um lugar de grande apelo artístico, de apreço pela simplicidade e ao mesmo tempo de rigor estético.

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Eucanaã Ferraz ressalta as temáticas universais do artista, que fazem com que a obra seja considerada atual. “Todo artista fala com o seu tempo e com aqueles que o antecederam. E ele provoca em cada um de nós algum tipo de pergunta. E nos provoca perguntas que nem sabíamos que tínhamos. A obra de arte é um lugar de inquietações, nem sempre de respostas”.

A professora Sylvia Cyntrão, também pesquisadora da obra de Vinícius na Universidade de Brasília (UnB), destaca que ele teve teve extrema preocupação social, como na poesia A rosa de Hiroshima, embora ele tenha ficado mais conhecido pela temática do amor-paixão. “A poética modernista de Vinícius, expressa preocupações essenciais que são fruto desse eterno impasse entre a aceitação da realidade na forma que se apresenta e a esperança utópica que podemos modificá-la pelo amor”. Para ela, o legado do autor traz pistas preciosas de como homens e mulheres devem enfrentar a realidade.

A pesquisadora organizou o livro O verso vivo de Vinícius de Moraes: olhares sobre o mais amado. Confira aqui

Ouça áudio da professora:

O professor de literatura Tiago de Carvalho, do Instituto Federal de Brasília, destaca que a obra de Vinícius é um tema que encanta também o ensino fundamental e médio, já que os alunos trazem referências ao poeta, ainda que não tenham tantas informações como os universitários. Os mais jovens percebem que o Poetinha foi admirado no morro e também pela elite. “Um homem que tinha causas ligadas às massas. Ele transitava entre o popular e o erudito e deve ser estudado tanto nas academias quanto cantado pelo povo”. O professor indica que o poeta se popularizou pela forma como cantava o amor, e pela visão redentora do sentimento. “Ele captou isso como ninguém. Apaixonado pela vida pelo amor, e se entrega ao samba e à bossa-nova. Ninguém faria como Vinícius em todas as camadas da sociedade, tanto na música como na poesia”.

Agência Brasil
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