AGRONEGÓCIOS
André de Paula é o novo ministro da Agricultura e Pecuária
André de Paula assume o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) a partir desta quarta-feira (1º). Ele substitui o ex-ministro Carlos Fávaro, que deixa o cargo para disputar a reeleição ao Senado por Mato Grosso.
A transmissão de cargo será realizada às 15h, no Auditório da Embrapa, em Brasília (DF).
Com trajetória consolidada na vida pública, André de Paula chega ao Mapa com experiência acumulada nos três níveis de governo e nos Poderes Executivo e Legislativo.
Natural do Recife (PE), André Carlos Alves de Paula Filho é bacharel em Direito pela tradicional Faculdade de Direito do Recife. Ao longo da carreira, destacou-se pela capacidade de articulação política e liderança institucional.
Durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocupou o cargo de ministro da Pesca e Aquicultura entre 2023 e 2026. No período, liderou a reconstrução institucional da pasta e promoveu políticas voltadas à pesca artesanal, à aquicultura e à produção sustentável, com foco na segurança alimentar, geração de emprego e renda e desenvolvimento produtivo do setor.
No Executivo estadual, foi secretário de Produção Rural e Reforma Agrária de Pernambuco (1999–2002), coordenando políticas de desenvolvimento agropecuário e fortalecimento do setor produtivo. Também exerceu o cargo de secretário das Cidades (2015–2016), com atuação em políticas urbanas, habitacionais e de infraestrutura.
Sua experiência no Legislativo é extensa. Foi vereador do Recife (1989–1991), deputado estadual de Pernambuco por dois mandatos (1991–1999) e deputado federal por seis mandatos consecutivos (1999–2023).
Na Câmara dos Deputados, ocupou funções de destaque, como presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e da Comissão de Legislação Participativa, além de líder da Minoria, líder do Partido Social Democrático (PSD), segundo vice-presidente e quarto secretário da Casa. Também presidiu o PSD em Pernambuco e exerceu o cargo de 2º secretário da Executiva Nacional do partido.
Ao longo da trajetória parlamentar, foi autor de proposições nas áreas de reforma do Estado, sistema penal, previdência e governança pública, além de iniciativas voltadas ao desenvolvimento institucional do país.
Entre as condecorações recebidas, destacam-se a Medalha do Mérito da Defesa, a Medalha do Mérito Tamandaré, a Medalha do Mérito Aeronáutico, a Medalha Santos Dumont, a Medalha Joaquim Nabuco, a Medalha do Mérito Legislativo e a Comenda Eduardo Campos.
Com perfil técnico e político, André de Paula assume o Ministério da Agricultura e Pecuária com a missão de dar continuidade aos trabalhos de fortalecimento do setor agropecuário brasileiro, ampliar a produção sustentável e contribuir para o desenvolvimento econômico do país.
Informação à imprensa
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AGRONEGÓCIOS
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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