Política Estadual

Seminário discute valorização e fortalecimento dos Agentes Comunitários de Saúde e de Endemias

Publicados

em

Nesta quinta-feira (12), o Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), foi o espaço de um importante seminário voltado à discussão sobre os avanços, desafios e valorização dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE).

O evento reuniu agentes comunitários de saúde e de combate às endemias de todas as regiões do Brasil, com presença de representantes do Nordeste, Norte, Sudeste e Centro-Oeste. O encontro reafirmou o compromisso nacional da categoria com a luta por reconhecimento, valorização e fortalecimento das políticas públicas.

Durante a solenidade, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (PSB), entregou a Comenda Marechal Cândido Rondon à presidente da Confederação Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde (CONACS), Ilda Angélica dos Santos Correia, em reconhecimento à sua atuação em defesa dos direitos dos agentes de saúde em todo o Brasil.

A homenageada é natural de Maracanaú (CE), onde reside até hoje. Ilda é presidente da Federação dos Agentes de Saúde e de Combate às Endemias do Ceará e, desde 2016, está à frente da CONACS, entidade que representa mais de 400 mil profissionais. Ela teve papel fundamental na articulação e aprovação do Projeto de Emenda à Constituição (PEC) 22, que garantiu um piso salarial nacional superior a dois salários mínimos, reajustes anuais, insalubridade e aposentadoria especial para a categoria.

O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) destacou o papel estratégico do Parlamento estadual no apoio às pautas dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. Segundo ele, a presença dos deputados nos 142 municípios do estado, assim como a capilaridade dos agentes, fortalece o diálogo direto com a base e contribui para articular soluções em nível estadual.

Profissionais de todo o país estiveram reunidos no Encontro.

Profissionais de todo o país estiveram reunidos no Encontro.

Foto: Helder Faria

“A Assembleia tem sido elo importante entre as categorias e os órgãos de controle. A criação da Câmara Temática no Tribunal de Contas do Estado, por exemplo, foi fruto de uma proposição articulada pela ALMT, que gerou avanços significativos para os agentes”, afirmou Russi, ressaltando o compromisso permanente do Legislativo com a valorização desses profissionais.

Max Russi destacou que o encontro representa mais do que uma agenda institucional. Segundo ele é a consolidação do reconhecimento e da valorização histórica dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias. Ele relembrou que a Frente Parlamentar promoveu cursos técnicos para a categoria em 2021 e 2022, formando ao todo mais de 3 mil agentes, além de ter atuado na criação de planos de cargos e carreiras, efetivações e leis de estabilidade.

Russi também ressaltou o protagonismo de Mato Grosso na articulação com o Tribunal de Contas para a criação de um Marco Regulatório inédito no país, que obriga os municípios a cumprirem integralmente a legislação voltada aos agentes. “É uma conquista que virou referência nacional e que orgulha o nosso estado”, afirmou Russi.

Max Russi também relembrou sua trajetória política marcada pelo apoio constante à categoria e afirmou que os agentes sempre estiveram presentes em seus mandatos, seja como deputado, secretário ou presidente da Casa de Leis. “É uma classe unida, vigilante, que busca seus direitos e cumpre suas obrigações. As conquistas dos últimos anos mostram a força dessa mobilização. A demanda pela aposentadoria especial é justa, e terá o apoio irrestrito da Assembleia Legislativa. Sabemos que a decisão passa pelo Congresso Nacional, mas com a mobilização que estamos vendo nos estados, especialmente em Mato Grosso, tenho convicção de que esse direito será conquistado em breve”, concluiu Russi.

Leia Também:  5° Simpósio destaca primeira Casa do Autista em Mato Grosso

A presidente CONACS, Ilda Angélica Correia, destacou que a escolha de Cuiabá como sede do encontro da região Centro-Oeste foi motivada pelo protagonismo de Mato Grosso no fortalecimento das políticas públicas voltadas à categoria. “Este estado tem se tornado modelo de gestão pública na superação de deficiências históricas que os agentes enfrentam”, afirmou.

Ilda Correia também destacou a iniciativa de Mato Gross,o como exemplo para o país, quando instituiu uma mesa técnica envolvendo o Tribunal de Contas, Assembleia Legislativa, governo do estado e Secretaria de Saúde, com o objetivo de orientar a regularização dos vínculos da categoria. “Mato Grosso saiu na frente ao reunir os principais atores institucionais e criar uma cartilha que orienta passo a passo a desburocratização do vínculo dos agentes. Esse é um exemplo que estamos levando a outros estados. A segurança jurídica para os trabalhadores é essencial para consolidar os avanços da nossa categoria”, ressaltou.

Correia relembrou a trajetória da profissão, que surgiu há mais de 34 anos no Ceará, inicialmente como uma ação emergencial do governo estadual para combater os efeitos da seca, da fome e da desnutrição no Nordeste. “Enfrentamos epidemias, combatemos a cólera, reduzimos a mortalidade infantil e provamos que somos essenciais. De um programa estadual, nos tornamos uma política nacional estruturante de saúde pública”, declarou com orgulho.

Ela destacou a urgência na regulamentação da aposentadoria especial prevista na Emenda Constitucional 120/2022. A medida, segundo a presidente do CONACS, é uma das principais pautas da entidade no momento. “Conquistamos a Emenda em 2022 com três direitos excepcionais: o Piso Salarial Nacional, a insalubridade e a aposentadoria especial. O piso já é realidade em todo o Brasil, mas ainda lutamos pela regulamentação da insalubridade em grau máximo, de 40%, e da aposentadoria especial, que está em debate por meio de Projetos de Lei Complementar na Câmara e no Congresso Nacional”, afirmou.

Ilda Correia também chamou atenção para a persistência de vínculos precários em diversas regiões do país, apesar de a Emenda Constitucional 51 garantir que o ingresso na carreira ocorra exclusivamente por concurso público. “Ainda temos muitos colegas contratados de forma temporária, o que fragiliza os direitos da categoria. Precisamos garantir aposentadoria com paridade, integralidade e segurança jurídica para os profissionais veteranos que já atuam há mais de 25 anos. Ao mesmo tempo, isso abre espaço para a entrada de novos agentes nos territórios, fortalecendo o SUS em todo o Brasil”, completou a presidente.

A agente comunitária de saúde, Ida Aparecida Paiva da Silva, do município de Sinop, destacou a importância da valorização profissional ao longo de seus 21 anos de carreira. Segundo ela, o reconhecimento impulsiona o desempenho no dia a dia e fortalece o vínculo com as famílias atendidas.

“Quando somos valorizados, trabalhamos com mais garra. Nós fazemos parte da vida das pessoas, somos a ponte entre a comunidade e a unidade de saúde. Atuamos como apoio emocional, orientação e cuidado, somos um pouco de tudo: psicólogos, conselheiros, cuidadores. E é essa presença que transmite segurança às famílias”, afirmou. Ida também ressaltou o papel da CONACS e de iniciativas na ampliação de direitos da categoria e na luta por temas como a aposentadoria especial.

Leia Também:  Secretarias estaduais apresentam metas físicas em audiência na ALMT

O coordenador da Frente Parlamentar em Defesa dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Carlos Eduardo, afirmou que o estado conta atualmente com cerca de oito mil agentes em atividade e destacou os próximos desafios com a iminente aprovação da aposentadoria especial da categoria.

Segundo ele, após a sanção do Projeto de Lei Complementar 185/2024, que tem como relator o senador mato-grossense Wellington Fagundes, os municípios terão papel fundamental na implementação do novo modelo previdenciário.

“Esse será o nosso próximo grande desafio. Após a aprovação do PLC, os municípios terão que garantir o pagamento integral da aposentadoria dos agentes, uma vez que os dois salários mínimos pagos hoje pelo governo federal não serão mais repassados nesse formato. A responsabilidade passará para o INSS ou para a previdência própria de cada município, o que exige planejamento e adequação”, explicou Carlos Eduardo.

De acordo com o coordenador, está prevista para o início de julho uma audiência pública nacional para aprofundar o debate sobre a transição. A expectativa é de que o projeto tramite nas casas legislativas ao longo do segundo semestre e seja aprovado ainda este ano.

“O texto estabelece um prazo de 120 dias para implementação da nova regra pelos municípios, mas sabemos que pode ser necessário mais tempo, já que se trata de uma matéria complexa. A aposentadoria com paridade significa que o agente terá o mesmo reajuste do piso nacional mesmo após aposentado. A Frente Parlamentar em Mato Grosso está pronta para auxiliar os gestores nesse processo”, concluiu Carlos Eduardo.

Representando o Ministério da Saúde, a coordenadora-geral de Saúde e Vigilância Ambiental, Eliane Ignotti, ressaltou a importância da atuação integrada entre agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE). Segundo ela, embora os ACE sejam os principais responsáveis pelas ações de combate direto às endemias durante as visitas domiciliares, os ACS também exercem um papel estratégico ao identificar situações de risco e orientar as famílias.

“Essa colaboração entre os dois grupos profissionais é fundamental para ampliar a efetividade das ações de vigilância e controle. A troca de informações e o apoio mútuo no território tornam o trabalho mais completo e eficiente”, afirmou Ignotti.

A formação dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias passou por uma transformação histórica nos últimos anos, como destacou a assessora especial da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Lívia Milena e Melo. Segundo ela, a categoria, que inicialmente exigia apenas alfabetização para o exercício profissional, agora participa de um curso técnico de 1.200 horas promovido pelo Ministério da Saúde, elevando significativamente o nível de qualificação.

“Esse avanço representa uma mudança estrutural no perfil dos agentes, que hoje atuam em uma abordagem muito mais ampla, da saúde mental à saúde digital, das endemias tradicionais às novas epidemias, com foco em toda a população, porta a porta”, afirmou Melo. A assessora também ressaltou que essa conquista é fruto da luta histórica da categoria por reconhecimento e da incorporação dessas demandas nas políticas públicas do SUS.

Fonte: ALMT – MT

COMENTE ABAIXO:

Política Estadual

ALMT participa do lançamento do “MT em Defesa das Mulheres” e reforça rede de proteção

Publicados

em

Por

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) participou, por meio da Procuradoria Especial da Mulher (PEM), do lançamento do programa “Mato Grosso em Defesa das Mulheres” e da assinatura do Pacto Estadual pelo Enfrentamento à Violência contra a Mulher, realizados nesta sexta-feira (17), em Cuiabá. A iniciativa do Governo do Estado reúne medidas estratégicas voltadas ao fortalecimento da rede de proteção e ao enfrentamento da violência de gênero e dos feminicídios em Mato Grosso.

A participação da ALMT reforça o compromisso institucional do Parlamento com a pauta dos direitos das mulheres, por meio da atuação da Procuradoria Especial da Mulher, que desenvolve ações de acolhimento e orientação, articulação de políticas públicas e incentivo à implantação de Procuradorias nos municípios.

O programa tem como diretriz a integração entre os poderes e instituições, fortalecendo o trabalho em rede e ampliando a efetividade das políticas de enfrentamento à violência de gênero.

A subprocuradora especial da Mulher da ALMT, Francielle Brustolin, disse que a iniciativa reúne demandas históricas da rede de enfrentamento e amplia a estrutura de proteção em diferentes regiões do Estado.

“O programa contempla avanços importantes construídos a partir de pleitos históricos da rede de enfrentamento. Entre eles estão a implantação da Delegacia da Mulher 24 horas em Várzea Grande, novas unidades em municípios como Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, além da abertura de novas Salas Lilás, que são espaços de atendimento humanizado e reservado para mulheres em situação de violência e outros serviços de atendimento”, afirmou.

Leia Também:  Em entrevista, Moretto fala sobre Hospital Regional de Pontes e Lacerda e esclarece repercussão de vídeo

Foto: MAYKE TOSCANO/Secom-MT

Ela também ressaltou ações voltadas à autonomia econômica das beneficiárias, com iniciativas de inserção no mercado de trabalho.

“Há um conjunto de medidas voltadas à autonomia financeira das mulheres em situação de violência, com oportunidades por meio de programas como o Empregos MT e ações direcionadas à inserção de jovens no mercado de trabalho, o que contribui para o rompimento do ciclo da violência”, pontuou.

Francielle destacou ainda o papel da Assembleia Legislativa no âmbito do pacto firmado entre os poderes.

“A participação da ALMT se dá pelo compromisso de fortalecimento e ampliação das Procuradorias da Mulher nos municípios. Trata-se de uma contribuição direta do Parlamento dentro do programa, com o objetivo de garantir mais acesso a orientação, acolhimento e encaminhamento”, completou.

Para a consultora da Comissão de Orçamento e Fiscalização e da Procuradoria da Mulher da ALMT, Rosângela Saldanha Pereira, a iniciativa consolida o caráter estruturante da política pública.

A atuação do Parlamento na fiscalização e no acompanhamento das políticas públicas, especialmente no processo orçamentário, também foi destacada por Rosângela. Segundo ela, a consolidação do Orçamento Mulher é fundamental para dar visibilidade às ações voltadas ao público feminino. “Sem orçamento, não há política pública”, afirmou.

Leia Também:  5° Simpósio destaca primeira Casa do Autista em Mato Grosso

Entre as medidas anunciadas pelo Governo do Estado estão a implantação da Delegacia da Mulher 24 horas em Várzea Grande no primeiro semestre de 2026, a criação de novas unidades em municípios como Lucas do Rio Verde e Sorriso e a instalação de núcleos especializados em diferentes regiões do Estado.

O pacote inclui ainda a ampliação da Patrulha Maria da Penha, o fortalecimento de estruturas nas forças de segurança, a criação de um portal estadual com informações integradas sobre violência de gênero e a oferta de teleatendimento psicológico às vítimas.

O deputado estadual Carlos Avallone, que acompanhou o lançamento, destacou a importância da atuação conjunta entre instituições e do engajamento da sociedade no enfrentamento à violência de gênero. Segundo ele, o enfrentamento ao problema exige ações contínuas e articuladas, com participação do poder público e mudança de cultura, especialmente por meio da educação.

A participação da ALMT no evento reforça sua atuação no fortalecimento das políticas de enfrentamento à violência de gênero. Por meio da PEM, a Casa segue contribuindo na articulação de ações e na ampliação da rede de proteção às mulheres em MT.

Fonte: ALMT – MT

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

VÁRZEA GRANDE

POLÍTICA

POLICIAL

MAIS LIDAS DA SEMANA