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Várzea Grande, 156 anos de história e tradição

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Várzea Grande completa 156 anos de forma vigorosa, mesmo diante das grandes crises nacionais e das disputas políticas.

Isto quer dizer que o desenvolvimento natural, sobrepôs as crises, venham elas de onde vierem.

Falo de Várzea Grande, por ser um município especial em vários sentidos, desde a maneira de portar de seu povo até a garra e vitalidade dos seus empresários.

Acredito que a maior rivalidade que ainda perdura até hoje, seja muito mais por causa de sua situação geográfica de vizinha de Cuiabá, já que são apenas separada pelo rio de mesmo nome ou por injunções políticas, que são afloradas em todo este imenso país chamado Brasil.

Mas vamos lá. Apesar de todas as críticas que desferem contra Várzea Grande, principalmente no comparativo com a capital do Estado, como se fosse possível diante de nossa história e nossa organização política, que alguma cidade fosse melhor que a capital do Estado, mesmo sabendo que em alguns comparativos existem muitas cidades melhor avaliadas que as capitais.

Agora a força de Várzea Grande, que foi forjada em meio a Guerra deste imenso país chamado Brasil com o vizinho país, Paraguai vem de laços familiares e principalmente daqueles que nunca se deixaram abater, por isso sazonalmente a cidade aparece às vezes bem, às vezes em desvantagem comparativamente.

Seja na política, na economia ou em qualquer outro setor, Várzea Grande responde às intempéries econômicas com criatividades, trabalho e esperança num futuro melhor

Como qualquer cidade que tem desafios gigantes, como atender a uma população de 300 mil habitantes e que facilmente chega aos 400 mil por causa da distância que a separa da capital e de outras cidades do Vale do Rio Cuiabá, levando muitas pessoas a residirem aqui e trabalharem em outras praças ou vice-versa, Várzea Grande se demonstra altaneira e imbatível, mesmo a gente não podendo desconhecer seus problemas que são os mesmos de Cuiabá ou de qualquer outra grande cidade ou mesmo as chamadas metrópoles.

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Mesmo assim, Várzea Grande é uma cidade de porte e seus problemas ainda são manejáveis, dependendo muito dos seus dirigentes para solucioná-los ou então para torná-los mais agudos.

Cabe aos gestores se conscientizarem o quanto a população e a cidade dependem de suas atitudes e responsabilidades.

Aqui está o cerne da questão, pois desde janeiro de 2021, Várzea Grande, trocou de mãos e ficou tácito para todos que a cidade está em boas mãos, pois os gestores têm procurado assegurar aos seus habitantes um modelo de vida decente.

Outros também atuaram pelo bem-estar da cidade, mas foram indulgentes com suas obrigações e com a necessidade de olhar para o futuro, pois o gestor público necessita de planejamento, sob pena da cidade regredir por falta de políticas públicas que atentem para os impactos do crescimento que pode tanto ser ordenado como desordenado.

Várzea Grande sofre como as grandes metrópoles, os problemas das especulações imobiliárias, das favelas, das migrações desordenadas, das drogas, dos assaltos, dos crimes organizados e dos congestionamentos.

Nesse município que no passado se descuidou muito da educação, da saúde, da segurança, das malhas viárias e dos carentes. Às vezes parece que parou no tempo. Foi esquecido e relegado a planos inferiores, buscando o desenvolvimento desordenado e cruel.

Aqui a população é tranquila, porém ativa. O comércio e a indústria são fortes, uma vez que, com suas grandes empresas e os atacadistas fornecem todo o norte mato-grossense. A indústria, apesar da crise econômica que atravessamos, continua ampliando ininterruptamente suas instalações e investindo em produtividade.

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A exploração da industrialização, ocorrida em todos os cantos do município, estimulou o comércio.

E se Várzea Grande sempre foi caminho, passagem, o destino mais uma vez lhe foi fiel. Privilegiada pelo relevo e embalada pela vontade de decolar, a cidade ganhou em 1949 um moderno Aeroporto, localizado a 8 quilômetros do centro da Capital Cuiabá. Do Aeroporto Internacional Marechal Rondon, saem vôos para os mais diversos destinos que vão de fazendas e garimpos até grandes centros do país.

E NO TEAR DO TEMPO…

Várzea Grande vai sendo gerada por seu povo, sua gente e a vida que leva. Acolhe nos braços migrantes de toda parte, oferece oportunidades, vira gente grande, desenvolvida e progressista, gera riquezas sem abandonar suas raízes.

Os antigos vaqueiros já não são vistos levando o gado para a Passagem da Conceição, mas a tradição permanece. Várzea Grande cresceu para ser caminho. Passam vidas, cruzam histórias.

Várzea Grande é um lugar especial, portal de entrada e saída para a grande fronteira agrícola do País, por conseguir absorver com muita maestria as mudanças frequentes ocorridas em nossa economia.

Ela não é uma cidade apenas do futuro, Várzea Grande é de agora e terá sempre sua marca indelével na história de Mato Grosso e na consolidação de todo desenvolvimento que por aqui passou, passa e passará, pois ela faz parte de um conjunto de pessoas e ações que sempre nortearam a política e a economia como um todo, desde os primórdios de sua existência.

Várzea Grande é Mato Grosso, Várzea Grande é Brasil.

Wilson Pires de Andrade é jornalista em Mato Grosso.

 

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Parece que foi ontem

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Por Antônio Joaquim

Parece que foi ontem. Dia 7 de abril de 2000. A lembrança da minha nomeação ao Tribunal de Contas de Mato Grosso ainda me vem com nitidez, como se o tempo não tivesse passado com a velocidade que, hoje percebo, ele realmente passou. São 26 anos de uma jornada que começou com expectativas, desafios e um profundo senso de responsabilidade pública. Ao revisitar essa trajetória, o sentimento que emerge é uma mistura de saudosismo e gratidão. Saudosismo pelas etapas vividas, pelas pessoas que caminharam ao meu lado e pelos momentos que ajudaram a construir quem sou hoje. E gratidão pela oportunidade de servir ao Estado de Mato Grosso e o Brasil em diferentes frentes ao longo da vida pública.

Antes mesmo de chegar ao Tribunal de Contas, tive a honra de atuar no Parlamento. Primeiro como um aguerrido deputado estadual, na trincheira da oposição, inclusive durante a Constituinte Estadual. Fui o “brizolinha pantaneiro”, em referência ao guerreiro Leonel Brizola, nosso líder no PDT. Tinha como marcas de atuação a determinação e a lealdade. Aprendi desde cedo que você pode ser firme, convicto, mas precisa sempre respeitar aliados e adversários. Depois, na Câmara dos Deputados, vivi momentos especiais como deputado federal, um dos mais votados de Mato Grosso. Foram experiências que moldaram minha compreensão sobre a importância das instituições e do compromisso com o bem comum.

No Governo Dante de Oliveira, pude contribuir com políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do nosso Estado, em um período de grandes transformações estruturais em um Estado que estava quebrado, falido se o poder público pudesse falir. Fui secretário de Infraestrutura e Secretário de Estado de Educação, com letras maiúsculas. Disparado, a maior e mais inesquecível experiência, pelas marcas deixadas em minha trajetória pública. Vem desse período minha verdadeira paixão pela causa da educação pública. Eu acredito no poder transformador da educação. Transforma a si, transforma o próximo. Transforma e melhora a sociedade. Aproveito para homenagear todos aqueles que dedicam a vida ao ensino, a começar pela minha esposa Tânia, professora de carreira, minha educadora.

Mas foi no Tribunal de Contas que encontrei um espaço permanente de construção. Aqui, ao longo desses anos, fortaleceu-se em mim a convicção de que o controle externo vai muito além da fiscalização da gestão dos recursos públicos: ele é instrumento de cidadania. Por isso, sempre defendi o fortalecimento do controle social, como forma de aproximar a sociedade da gestão pública e, com a participação cidadã, retroalimentar o controle externo. O cidadão está sempre onipresente. Quando participa, fala, denuncia, cobra, transforma a vida social e impulsiona as instituições. Acredito que cidadãos bem-informados participam melhor, cobram melhor e ajudam a construir governos mais responsáveis. Impossível não lembrar de iniciativas como o projeto Consciência Cidadã, que nasceram dessa crença. Não fui pai desse projeto, mas fui padrinho, padrasto.

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Em nível nacional, tive a honra de contribuir para o desenvolvimento do sistema Tribunais de Contas. Na presidência da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil, trabalhei para mudar o foco da entidade, direcionando esforços para a melhoria concreta das nossas instituições de controle externo. A Atricon, quando assumi, era uma instituição corporativa, voltada praticamente para o interesse do associado. Como os Tribunais de Contas até hoje carecem de um conselho nacional que os organiza e fiscaliza, a exemplo do CNJ para o Poder Judiciário, e o CNMP, para o Ministério Público (órgãos de controle criados pela Emenda Constitucional 40), entendi que a Atricon tinha que organizar o sistema e lutar pela melhoria dos Tribunais de Contas brasileiros.

Parece um passado longínquo, mas em 2012, existiam tribunais de ponta e muitos abaixo da linha do aceitável. Minha gestão foi um marco transformador. Falo isso pelo sem-número de homenagens que recebo constantemente por ter sido esse líder naquele momento histórico. Foi um período de intensa dedicação, do qual resultaram iniciativas estruturantes, como o Marco de Medição de Desempenho dos Tribunais de Contas, o MMD-TC, iniciado com outro nome o QATC, programa que avaliava a qualidade e agilidade dos tribunais. Atualmente, todos os 33 Tribunais de Contas se submetem a essa avaliação. Com certeza, a evolução de todos passou por esse programa.

Para essa época da minha vida, homenageio a memória do saudoso conselheiro Salomão Ribas (TCE-SC). Ele que inventou minha candidatura, em um congresso da Atricon em Belém (PA), uma ideia que teve a adesão de outros dois ícones, Thiers Montebello (TCM/RJ) e Chico Neto (TCM-BA). Disse-me Salomão, secretamente: “eu não posso, mas você, novo e pouco desconhecido, pode nos provocar um terremoto necessário”. Como desafio pouco é bobagem, aceitei fui lançado aos leões. Não custa lembrar que, diferente do CNJ e CNMP, era e ainda é a mensalidade dos associados que banca o trabalho da Atricon de melhorar instituições públicas. Por isso, fui amado, odiado, mas felizmente hoje exaltado.

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Ver, anos depois, o avanço dessas e outras ações na Atricon e em todo o Sistema Tribunais de Contas, como o Programa Nacional de Transparência Pública – minha última contribuição nacional mesmo apenas como membro da entidade, proposta de 2021 – reforça a certeza de que cada esforço valeu e continua valendo a pena. Logicamente, são conquistas que não pertencem a uma pessoa, mas a todos que acreditam na força das instituições.

No Tribunal de Contas de Mato Grosso, para além da atividade obrigatória voltada à fiscalização e o julgamento de contas públicas, uma das causas que mais têm mobilizado minha atuação é a educação pública, agora presidindo a Comissão Permanente de Educação e Cultura.  Em especial, a atenção à primeira infância e a defesa da construção de creches como política essencial para o futuro, com ajuda do Gabinete de Articulação para a Efetividade da Política de Educação (GAEPE), uma iniciativa de governança colaborativa.

Cuidar das nossas crianças é, sem dúvida, o maior investimento que podemos fazer enquanto sociedade. Essa causa tem-me nutrido diariamente, em conjunto com a atuação como conselheiro ouvidor do TCE-MT. Nessa área, basta lembrar que em menos de cinco anos, como trabalho de mobilização, orientação, treinamento, conseguimos influenciar e fazer com que praticamente todos os órgãos públicos tenham criado sua Ouvidoria Pública.

Ao olhar para trás, é impossível não sentir saudade. Mas é uma saudade serena, acompanhada do orgulho pelas sementes plantadas e pelos resultados alcançados. O tempo passou — rápido, talvez até mais do que eu gostaria —, mas deixou marcas positivas, aprendizados e realizações. Se hoje parece que foi ontem, é porque cada momento vivido foi significativo. E é com esse mesmo espírito que sigo adiante, renovando o compromisso com o serviço público, com a ética e com a construção de um Estado cada vez melhor.

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