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40 anos sem Vinícius: saiba mais sobre o Poetinha que cantou a saudade

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Apresentação nesta quinta terá artistas como Gilberto Gil e Toquinho

Publicado em 09/07/2020 – 10:01 Por Luiz Claudio Ferreira – Repórter da Agência Brasil – Brasília

Se estiver com saudades, pode abrir os ouvidos e inspirar os olhos. Os versos estão enfileirados na memória, nos arquivos, no coração de um país, no alento, na esperança de um gigante que respondia pelo apelido em diminutivo, um Poetinha. Brasileiros que estão hoje longe da família, de amores da vida, de amigos, podem encontrar também a beleza de cada segundo e do viver ao (re)visitar a obra eternizada do gênio Vinícius de Moraes, que morreu há exatos 40 anos, no dia 9 de julho de 1980, aos 66 anos de idade. 

O artista que dizia que a “distância não existe” rogava que não queria “mais esse negócio de você longe de mim”. “E por falar em saudades, onde anda você?”. Celebrado na academia, nas aulas de literatura, nas rodas de amigos, nas emissoras de rádio, nos bares, no café da manhã e na boemia, Vinícius é esperança erudita em bom popular: “dentro dos meus braços/os abraços hão de ser milhões de abraços”. Profano e sagrado, tudo junto e misturado: “diz-lhe numa prece, que ela regresse porque não posso mais sofrer”. Poetinha está vivíssimo, garantem os estudiosos e todos os apaixonados. Aliás, nesta quinta, um grupo de artistas fará uma apresentação em live para celebrar a memória do autor, dos encontros e das saudades.

A produtora cultural Gilda Matoso, de 68 anos, viúva de Vinícius de Moraes, organiza o evento, que começa às 19h, no canal dela no Youtube, contará com nomes como Toquinho, Gilberto Gil, Maria Creuza e Mariana de Moraes, Cynara (Quarteto em Si), e os poetas Marcel Powell, Antonio Cícero, Geraldo Carneiro e o ator Aloísio de Abreu. Cada artista vai escolher algo para cantar e conversar sobre ele. “Eu fico abismada. Tanta gente que não era nem nascida na época é muito fã dele. É uma obra eterna. A obra é verdadeira, rebuscada e ao mesmo tempo tão popular”, disse. Gilda Mattoso admira toda a obra do artista, mas destaca uma canção em especial que também celebra a saudade: “Marcha de Quarta-feira de Cinzas”. A música deve ser interpretada na apresentação desta quinta, pela cantora Maria Creuza.

Vinícius de Moraes, conhecido pelas canções de amor, é um cânone da literatura brasileira
Vinícius de Moraes é considerado um autor singular pelo mistura do erudito e popular. Foto cedida por @vmcultural/Direitos Reservados

Obra amorosa

A neta do poeta, Mariana de Moraes, 50 anos, afirma que o exemplo de ética, e o olhar amoroso de Vinícius (que morreu quando ela tinha 11) são fundamentais para a vida e para a obra que ela também construiu. “Por mais triste que seja o assunto que ele trata, Vinícius consegue enxergar aspectos positivos. Ele exercia a compaixão, a caridade e a poesia”. A artista compara a música e os versos a uma forma de rezar. “Vinícius sensibilizava. É importante consumir a obra dele porque trazem esperança e alento, mesmo quando a temática é triste”.

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Mariana de Moraes diz que esse é um momento para estar com Vinícius. “Ele diz que o amor vai prevalecer. Ele produziu uma forma amorosa”. Ela cita a poesia/canção Eu não existo sem você como um exemplo desse olhar lírico: “Eu sei e você sabe que a distância não existe. Que todo amor só é bem grande se for triste. Por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer. Pois todos os caminhos me encaminham pra você”.

Ouça abaixo trecho da entrevista da cantora.

Vinícius escreveu sobre as coisas do coração e foi equilibrado, analisa a neta. “Ele uniu pensamento, coração e ação. Ele era um homem que ajudou muito gente, muitos artistas. Ele agiu como homem e transformou sentimentos em palavras”, admira-se. Por isso, para ela, a obra de Vinícius é tão inspiradora para diferentes públicos. “É importante pensar coisas belas”. Ela recorda que o avô chamava, com carinho, as pessoas pelo diminutivo. E surgiu o apelido do Poetinha.

Mas ela contextualiza que o autor chegou a ser boicotado por trazer conteúdo também popular. “A poesia dele conseguiu furar o bloqueio e ele é reconhecido como um grande poeta a par de ser também compositor. A obra dele resiste forte e voltou a ser estudada nas universidades”. Mariana de Moraes lamenta que as novas gerações são também bombardeadas de materiais sem qualidade, tanto na música quanto na poesia. E, por isso, ela defende que os jovens devem ser apresentados cada vez mais aos grandes autores.

Mariana recorda que decidiu cantar desde criança sob inspiração de João Gilberto. “Eu conheci a obra de Vinícius pelo o que eu ouvia do João. E passei, com o tempo, a ser convidada para eventos a celebrar a memória dele. E me apropriei do que ele produziu. Eu reverencio muito a obra do meu avô”.

Permanência em diferentes cenários

Estudioso da obra de Vinícius de Moraes, o professor Eucanaã Ferraz, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entende que o poeta é completo e único em função da trajetória também popular. “Vinícius é um personagem presente no dia a dia de muitas faixas etárias e classes sociais. Foi um poeta que fez obras para crianças (como o álbum Arca de Noé), o que faz com que o interesse por ele passe de geração para geração”. O pesquisador destaca o pensamento sofisticado de Vinícius mesmo em um lugar de grande apelo artístico, de apreço pela simplicidade e ao mesmo tempo de rigor estético.

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Eucanaã Ferraz ressalta as temáticas universais do artista, que fazem com que a obra seja considerada atual. “Todo artista fala com o seu tempo e com aqueles que o antecederam. E ele provoca em cada um de nós algum tipo de pergunta. E nos provoca perguntas que nem sabíamos que tínhamos. A obra de arte é um lugar de inquietações, nem sempre de respostas”.

A professora Sylvia Cyntrão, também pesquisadora da obra de Vinícius na Universidade de Brasília (UnB), destaca que ele teve teve extrema preocupação social, como na poesia A rosa de Hiroshima, embora ele tenha ficado mais conhecido pela temática do amor-paixão. “A poética modernista de Vinícius, expressa preocupações essenciais que são fruto desse eterno impasse entre a aceitação da realidade na forma que se apresenta e a esperança utópica que podemos modificá-la pelo amor”. Para ela, o legado do autor traz pistas preciosas de como homens e mulheres devem enfrentar a realidade.

A pesquisadora organizou o livro O verso vivo de Vinícius de Moraes: olhares sobre o mais amado. Confira aqui

Ouça áudio da professora:

O professor de literatura Tiago de Carvalho, do Instituto Federal de Brasília, destaca que a obra de Vinícius é um tema que encanta também o ensino fundamental e médio, já que os alunos trazem referências ao poeta, ainda que não tenham tantas informações como os universitários. Os mais jovens percebem que o Poetinha foi admirado no morro e também pela elite. “Um homem que tinha causas ligadas às massas. Ele transitava entre o popular e o erudito e deve ser estudado tanto nas academias quanto cantado pelo povo”. O professor indica que o poeta se popularizou pela forma como cantava o amor, e pela visão redentora do sentimento. “Ele captou isso como ninguém. Apaixonado pela vida pelo amor, e se entrega ao samba e à bossa-nova. Ninguém faria como Vinícius em todas as camadas da sociedade, tanto na música como na poesia”.

Agência Brasil
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Especialista fala sobre a importância de ser anfitrião da família na pandemia

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REGRAS SEM FRESCURA

Especialista em Etiqueta Social fala sobre a importância de ser anfitrião da família na pandemia

Renata Corrêa diz que se todos soubessem a Etiqueta dentro das regras, sem preconceito, seria como uma regra qualquer, tal como parar o carro no sinal vermelho

Você acha que a Etiqueta Social é frescura? Então chegue mais perto à leitura e se atente ao convite da especialista em Etiqueta Social, Renata Corrêa, que vai ensinar como surpreender os convidados com a live “Receber Bem e Mesa Posta”, nesta quarta-feira (05.08), às 19h, pelo projeto “Mulheres da Grande Família”. A proposta é de um grupo criado para troca de experiências, entre mulheres, e que vem ajudando muitas donas de casas, empreendedoras, profissionais de carreira e autônomas, de várias áreas, a enfrentarem, juntas, esta pandemia causada pelo novo Coronavírus (Covid-19), abordando diversos assuntos de um jeito criativo e sustentável.

Chega um dia, na vida adulta, que os momentos em família aumentam, os encontros com os amigos se tornam mais caseiros e cresce a vontade de servir e preparar o ambiente da casa cada vez melhor e convidativo a quem amamos, não é mesmo? Principalmente neste tempo de isolamento social, onde o convívio familiar está maior, tornando-se ideal para compartilhar e aprender sobre etiqueta.

“Agora que a gente não está podendo receber amigos, muitas pessoas na nossa casa, o foco voltou-se para aquilo que seria o essencial, o mais importante para a nossa vida, que é a família. Então é o que eu quero frisar bem neste encontro de quarta-feira (05), que é você ser anfitriã de sua própria família, uma mulher hospitaleira com os seus hóspedes diários, que são os nossos familiares. Ou seja, como você pode agradar? Como fazer uma mesa de forma simples, mas que fique elegante, bonito? Como que a gente pode aproveitar esse momento para ensinar aos nossos filhos, marido, amigos, primos, sobrinhos, os benefícios da etiqueta?”, convida Renata.

Quando se fala em Etiqueta Social logo vem à mente que se trata de um padrão para os ricos, e foi tido por muito tempo como frescura de uma classe social alta.

“Ao contrário, a Etiqueta não é frescura. Ela te iguala. Quando a gente sabe, você consegue circular em qualquer ambiente, porque você sabe como se comportar naquele determinado lugar. Ela te desiguala quando você não sabe o que fazer. Então, se todos soubessem a etiqueta dentro das regras, seria tal como a regra de atravessar a faixa de pedestre, ou parar o carro no sinal vermelho, que é uma regra, como outra qualquer. Se todo mundo fizer, as coisas fluem muito melhor”, explica a especialista em Etiqueta.

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A Etiqueta Social engloba a Etiqueta à Mesa, o Receber Bem e a Etiqueta de Comportamento. Todos que a Renata se especializou pelo Instituto de Etiqueta e Protocolo de Belo Horizonte. E o foco dela é a etiqueta de receber em casa, do churrasco de família, do aniversário, o “junta panela”, onde cada um leva um prato para reunir em um almoço, por exemplo.

São pequenas recepções, como o nome de seu projeto traduz, em “Receber simples assim”, para que aquela mulher aprenda a ser uma anfitriã, sem precisar de ninguém para fazer as coisas por ela. Assim saberá, dentro da regra, aquilo que pode facilitar a vida dela na hora de receber alguém em casa.

Receber Simples Assim

 

Esta ideia começou porque Renata sempre gostou de ser uma anfitriã, de receber pessoas em sua casa, em Natal, Páscoa, Réveillon e de preparar as festas de aniversários dos filhos. Foi quando decidiu que deveria se especializar em festas afetivas, e fez o primeiro curso voltado para este hobby.

Além de especialista em Etiqueta Social, Renata Corrêa também é fonoaudióloga e funcionária pública estadual, que agregou as duas profissões à sua vida.

A medida que foi desenvolvendo a sua segunda ocupação profissional, Renata pendeu para a proposta de “Mesa Posta”, onde fez o segundo curso “Receber Bem e Etiqueta à Mesa”, e continuou se aperfeiçoando nesta área, além do curso de Etiqueta à Mesa.

Com o intuito de fazer um trabalho que inspirasse outras pessoas quanto a Mesa Posta, entre outras definições da Etiqueta, em 2017, Renata criou o perfil @renata_recebersimples, no Instagram.

E, aquilo que tinha o intuito de ser inspiração, tornou-se uma ferramenta rentável, onde decidiu ganhar dinheiro fazendo o que gosta, e entrou de cabeça no mundo profissional, ministrando workshops da área de Etiqueta, de uma forma prática, dentro da própria residência. Justamente para mostrar e ensinar às pessoas que vinham fazer o curso, o foco de ser uma anfitriã de sucesso e receber bem.

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Deu tão certo, que, além do Instagram, Renata Corrêa está presente nas plataformas virtuais do Youtube e Telegram, como Receber Simples Assim Por Renata Corrêa, e no Facebook e Pinterest, como Receber Simples Assim, com dicas gratuitas a quem quiser aprender um pouco mais sobre Etiqueta.

“E por falar em sucesso, o grupo Mulheres da Grande Família tomou uma proporção grande e traz muitos benefícios para as mulheres. Nós mulheres damos conta de fazer muitas coisas, mas muita das vezes a gente não se une para aprender o que uma pode estar ensinando para a outra. E está sendo um momento rico de troca de experiências. Agora a gente está podendo falar que não sabia fazer algo e se sentir a vontade para mostrar tanto as fragilidades, como as virtudes, e dividir os valores. É uma multiplicação de conhecimento”, finaliza Renata.

De tudo um pouco

O projeto Mulheres da Grande Família, idealizado pela empresária e dona de casa, Leonora Sodré, traz uma base de apoio e parceria, que somam atualmente 132 mulheres. Já abordou o tema sobre “Saúde Mental”, com foco em depressão, com a psicóloga Thais Dias Vidotti, “Mulheres em situação de risco”, com a advogada e presidente da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), Michelle Marie de Souza, sobre “Automaquiagem”, com a profissional Mayara Strobel, e, na semana passada, com a engenheira Civil, Daniela Argenta, o tema foi “Empoderamento prático através de ferramentas e furadeiras”.

Dani Argenta trabalha há mais de 15 anos na parte de engenharia rodoviária, com projetos, faixas de domínio e desapropriação, e trouxe ao grupo um pouco da independência de pequenos serviços em casa, desde hidráulica, elétrica e ferramentas manuais, que podem ser trocados sem a necessidade de gastar com um prestador de serviço.

A engenheira civil trouxe o poder de decisão, autonomia e liberdade, além dos reparos com o conceito da @supersisoficial, perfil que representa a profissional, amante das ferramentas e reparos, além da página www.supersis.com.br, onde apresenta o seu projeto SuperSis, com a dinâmica de cursos.


 
Por Beatriz Saturnino 
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